A Fortaleza - Capítulo 3

segunda-feira, 16 de maio de 2016




Ares - O Deus da Guerra 


Ares havia acabado de sair do banho, o telefone que deixara ao lado da cama de Ártemis tocava, olhou o visor e suspirou profundamente, quando o deixariam em paz? Ouviu um barulho e rejeitou a ligação. Olhou além do corredor, Ártemis permanecia deitada no sofá. 


Estava cansado daquilo, não era a primeira vez e tentava não se preocupar, porém a tensão vezes tomava conta de seu corpo. Estava disfarçando bem, mas em algum momento descobririam ou ele mesmo teria que contar, mas não agora, estava entrando em um relacionamento, não queria se afastar de Ártemis, apesar de saber que no momento isso seria o melhor a fazer, pelo menos por enquanto. Mas como poderia por um fim ou um tempo naquilo que com tanto trabalho conquistou? Amava Ártemis, ficar longe dela o machucaria e com, certeza ela não lhe daria uma segunda chance. Não, definitivamente não a deixaria, nem agora e nem nunca seguiria com seus planos, merecia ser feliz. Uma hora ou outra aquilo teria um fim.

O telefone tocou novamente, mas dessa vez havia um nome.

— Alô!

— Ares, quanto tempo. — Disse a voz masculina do outro lado da linha.

— Era você quem estava fazendo chamadas confidenciais? — Perguntou inquiridor.

— Não, por que? — Respondeu um pouco assustado com a grosseria.

— Por nada. — Disfarçou. — Como vai? Está tudo bem? Precisa de alguma coisa?

— Estou bem, só um pouco preocupado com as informações que recebi.

— Que informações?

— Você e Ártemis.

Ares sorriu de canto.

— Não deveria se preocupar, sou a melhor escolha que ela poderia fazer nessa vida.

— Ares, eu não estou brincando, afaste-se dela. O que você pensa que está fazendo, tínhamos um acordo. Você traiu minha confiança.

— Não é nada disso que você está pensando, eu nem sabia quem ela era. Acredite ou não, foi tudo obra do acaso.

— Mas agora você sabe, afaste-se.

Ele suspirou.

— Me perdoe, mas eu não posso. Me apaixonei por ela.

— Você acha que sou idiota, Ares? Está fazendo isso para se vingar de mim, mas não entendo o por que disse se fiz tudo que me pediu.

— Não é do jeito que você está pensando, por favor, acredite. Sei o que disse a você no passado, mas isso não se sustenta, jamais faria mal a ela. Ártemis é uma mulher incrível e eu não posso me afastar. Estou sendo honesto com você, não se aborreça, mas eu a amo. Ela é minha vida Sebastian. Entendo tudo que você fez agora, quando estamos apaixonados comentemos loucuras... — Falou sincero. — Por favor, não tenho nada contra você, para mim foi um amigo me ajudando a salvar o meu irmão, estou a sua disposição para o que precisar, mas não me peça para deixar Ártemis, isso eu não posso fazer, vai além dos meus limites.

Ares ouviu o homem suspirar do outro lado.

— Tudo bem, Ares, mas você sabe que tenho o pior pesadelo da sua família em minha mãos, uma falha sua e o pesadelo se tornará realidade... Mais uma vez.



♖♜___Α Fορταλεzα___♜♖



— Como você está querida? Seu pai está preocupado, faz tempo que não nos falamos! — Disse a mãe de Ártemis ao telefone. Ela desfrutava da companhia de Ares enquanto preparava um café quando seu telefone tocou. Agora ele estava no banho e ela jogada no sofá conversando com a mãe.

— Desculpe mamãe, mas foi falta de tempo. O trabalho e os estudo estão me consumindo! — Nesse momento Ares gritou algo do banheiro e ela respondeu.

— Quem está ai com você? — Questionou. — Algum namorado? — A mãe tinha um "faro" apurado.

— Mais ou menos! — Disse ela.

— Ah! Me conte quem é ele? — Insistiu.

— Não é ninguém mãe!

— É indigente? Não tem nome? Não acredito... — Falou e ouviu a risada da filha.

— O nome dele é Ares, estamos nos conhecendo. Não é nada sério!

— Hum! Ares? Que nome forte. — Disse a mãe. — Você gosta dele? Ele te trata bem?

Ártemis gostava dele, mas não gostava de admitir isso nem para si mesma.

— Ele me trata muito bem!

— Então será bem vindo caso vocês passem do "estamos nos conhecendo". — Disse rindo. — Tudo que quero é que você seja feliz, meu amor.

— Eu sei mamãe e eu estou feliz! — Falou com voz manhosa.

— Que ótimo, espero que muito disso seja mérito de Ares!

— Ele também espera!

— Certo filha, tenha uma boa noite. Juízo, ouviu?! — Recomendou.

— Eu tenho mãe! Boa noite e dê um beijo em papai por mim. — Disse desligando.

Ártemis levantou e se dirigiu ao quarto. Entrou de repente, mas foi obrigada a parar ainda na porta, pois a visão a sua frente paralisou-a. Ares, o seu deus, estava só de toalha, de costas, não via a elevação dela ao admirá-lo. Tinha um corpo magnífico, definido, parecia ter sido esculpido por um artista que almejava a perfeição e que com certeza, obtivera êxito. Alguns pingos de água ainda escorriam pelas costas largas. Os cabelos molhados e desalinhados lhe davam um ar rebelde.

— Vai ficar só olhando? — Voltou a si quando ouviu a voz grave.

Suspirando respondeu.

— Gosto de olhar para você! — Disse se aproximando e removendo a toalha que cobria nudez do homem tão próximo a ela.

— Você costumava ser mais tímida. — Lembrou ele semicerrando os olhos.

— Isso foi antes de você me mostrar os caminhos do amor. — Disse piscando para ele. — Obrigada por isso!

— Foi uma honra. É sempre uma honra amar você. — Ele enlaçou-a pela cintura e beijou-a com paixão, ela segurou o membro livre com as mãos e estimulou-o. Ares gemeu em sua boca e pôs-se a retirar as roupas dela, deitou-a na cama, sentia sua pele em chamas, Ártemis causava um verdadeiro frenesi em seu corpo. A cintura esguia pedia por seus lábios. Os seios de menina eram uma tentação. O cheiro de seu cabelo e pele dominavam seus sentidos. Não conseguia se decidir sobre o que gostava mais na mulher que se derretia em seus braços.

Ela o enlaçou com as longas pernas o trazendo para mais perto de seu ponto íntimo, Ares entendeu o convite e a penetrou ouvindo um gemido rouco escapar de sua garganta. Cheio de desejo amou a sua Afrodite mais de uma vez, queria prolongar sua estadia no corpo de Ártemis. Conhecerá a mulher mais doce do mundo, honesta, bondosa e sensual, almejava tê-la todas as noites.

Amanheceu e Ares ainda a mantinha cativa em seus braços. Ártemis tentou se soltar do abraço, devagar para não acordá-lo, mas não contava com o sono leve do seu deus.

— Fugindo? — Perguntou Ares ainda sonolento.

— Tenho que ir trabalhar!

— Não! Ligue para sua chefe e avise que o dia hoje será todo nosso.

— Até parece! — Disse ela rindo.

— Ártemis? — Chamou ele virando-a em seus braços. — Eu quero que você seja apenas minha.

— Você sabe que não tenho outros. — Respondeu estranhando a questão.

— Não foi isso que quis dizer. — Tentou se explicar. — Estou tentando te pedir em namoro. — Ares riu da sua inabilidade, nunca precisou de um relacionamento, nunca quis estar preso a alguém antes dela. — Quer ser minha namorada, Ártemis? — Falou se sentindo um bobo, mas era aquilo que queria.

Ártemis não acreditava no que estava ouvindo, Ares Dimitriades queria um relacionamento de verdade com ela? — Ergueu uma sobrancelha mostrando toda sua surpresa. Nunca imaginou que isso pudesse acontecer, ele era tão... Livre! Vivia rodeado de mulheres, podia ter uma diferente todas as noites, mas ao invés disso estava pedindo para oficializar seu relacionamento com ela.

— Ares você tem certeza disso? — Perguntou. — Digo, você sabe que um relacionamento tem várias regras, como por exemplo, fidelidade.

— Sei que sempre vivi uma vida desregrada se tratando de mulheres, mas eu sempre fui solteiro, nunca tive, nem nunca quis alguém para amar, respeitar e me dedicar.

— E agora você mudou? Quer um relacionamento e acha que eu sou a pessoa certa? — Questionou desconfiada. — Você não está se deixando influenciar só por que eu já tive algo sério com alguém, não é?

— Não sou criança, Ártemis. — Respondeu. — Não quero um relacionamento só para apresentar alguém aos meus pais ou aos meus amigos. Também não me interesso em ter uma experiência para por no meu "currículo". Pedhaki mou! Quero oficializar o que temos por que te amo. — Declarou-se.

— O que? — Perguntou ela em um sussurro.

— Eu te amo, Ártemis. — Repetiu acariciando o rosto dela. — Te amei desde a primeira vez que te vi e tem sido assim durantes esses dois meses em que estamos juntos. Posso dizer que nunca senti nada tão incrível. Penso em você durante todo o dia, sinto sua falta, se dependesse de mim não sairia do seu lado... Só pode ser amor, não é?

Ártemis estava boquiaberta, não esperava ouvir uma declaração dele.

— Eu não acredito que você ficou surpresa. — Falou Ares sorrindo. — Nunca percebeu? Nunca sentiu meu coração disparar perto de você ou meus lábios ansiosos ao te beijar? Um homem não se comporta assim não estiver apaixonado.

Ela suspirou, nada sabia sobre os sentimentos de Ares, claro que a insistência dele deveria ser levada em consideração, mas ainda tinha muitas dúvidas e medo de encarar um novo relacionamento. Falar em dúvidas, uma estava martelando na sua cabeça, achou melhor esclarecer.

— Ares, eu já lhe falei sobre a situação que estava envolvida. Para mim ainda é difícil pensar em relacionamento. — Disse ela. — De toda forma, eu não quero que você se sinta responsável por mim, não importa o motivo.

Ele entendeu perfeitamente a questão que Ártemis estava tratando ali.

— Não me sinto responsável por ter sido seu primeiro, se é isso que você está insinuando, claro que foi especial para mim, mas não é por isso, não estamos no século passado e você não é uma adolescente. — Disse pondo um fim a questão. — Aceite que eu me apaixonei por você Ártemis, isso não é impossível. Você é uma mulher inteligente, honesta, de bom caráter, linda e sensual. — Falou deslizando as mãos pelas costas nuas da mulher deitada ao seu lado. — Eu te desejo tanto, você me deixa louco. — Ares a beijou fazendo seu desejo renascer, interrompeu o contato apenas para dizer: — Não precisa me responder agora, pense um pouco, eu sei que você também sente algo por mim, não há motivos para fugir disso.


♖♜___Α Fορταλεzα___♜♖


Mais tarde Ártemis conversava com Dione sobre a proposta de Ares.

— Querida, você precisa deixar o passado no passado e seguir em frente. A vida está sendo generosa com você te retribuindo o bem que você fez a outra pessoa, aceite. Coisas boas acontecem para pessoas boas. — Disse a chefe. — Esse homem te adora Ártemis, dá para perceber pelo sorriso dele quando está com você, e não se preocupe com as outras muitas que ele já teve. — Riu. — Se ele quer você como namorada é por que está disposto a deixá-las para trás. Perceba, o destino está unindo vocês para aprenderem um com o outro, pois, terão que deixar coisas no passado para caminharem juntos. Tente! — Aconselhou. — O que você tem a perder?

Exatamente, não tinha nada a perder. Merecia ser feliz. Ainda muito nova teve que tomar uma decisão sobre sua vida que marcou seu destino, não se arrependia, mas não era aquilo que havia planejado para seu futuro. Sonhava com um homem com idade próxima a sua, que junto com ela construísse uma família, esse homem poderia ser Ares Dimitriades, por que não?


♖♜___Α Fορταλεzα___♜♖


Pedhaki mou = Querida.




Mistérios... Mistériooosss e mais mistériossss!

A foto do capítulo é do nosso Ares Dimitriades, gostaram?



#Odeusdaguerraémeu





Muito obrigada pelo carinho meus amores! Não esqueçam de dar uma estrelinha ★

Βeijo... Filía ;)

A Fortaleza - Capítulo 2




Magno - O Deus do Olimpo



— Ártemis, — chamou Dione — O deus Dimitriades está lá fora estacionando, é melhor você se apressar. — Ela riu, sua chefe encontrava um apelido para todo mundo, mas desta vez tinha que concordar, deus era um apelido perfeito para Ares Dimitriades, tentava evitá-lo por que sabia que o homem era problema na certa, mas pessoalmente era irresistível. Tinha um sorriso meigo e um olhar devastador. Sabia da reputação dele com o sexo oposto, todas eram apenas amor de uma noite, se bem que com ela estava sendo diferente, já faziam dois meses que eles tinham ficado pela primeira vez, mas, mesmo assim, ele permanecia correndo atrás dela. Não queria se apegar, por que sabia que uma hora ou outra ele se cansaria e cairia fora como fazia com todas, não era baixo estima, apenas tentava ser realista, mas por enquanto iria se permitir um pouco de diversão, sem compromisso, sem regras e sem cobranças.

— Então, aonde vamos? — Perguntou Ártemis já sentada no banco do carona.

— Pensei em um restaurante japonês, você gosta?

— Muito.

Almoçaram conversando sobre coisas do dia a dia, já de volta a faculdade, Ártemis se despediu de Ares com um beijo rápido nos lábios.

— Posso dormir na sua casa hoje à noite? — Perguntou, mas viu uma expressão de dúvida da jovem, então decidiu insistir. — Preciso de você Ártemis. Lembra da última vez? Foi incrível para mim. Quero tudo de novo, quero muito mais de você.

Ártemis lançou um sorriso tímido a ele, e apenas assentiu.

— Ótimo! — Respondeu ele beijando-a novamente.

— Até mais tarde! — Disse ela descendo do veículo.

Ártemis atravessou o ginásio de esportes cortando caminho de volta a Snak, chegou e foi logo vestindo a farda novamente. Atendeu algumas mesas e quando estava levando alguns outros pedidos para a equipe da cozinha viu Dione paralisada olhando fixamente para algo, discretamente virou-se para ver o que estava chamando a atenção da amiga e deparou-se com uma das visões mais belas que seus olhos já registraram, um homem aparentando entre vinte e cinco e trinta anos, pele bronzeada, cabelos pretos e ondulados, olhos de safira que brilhavam como o mar Mediterrâneo sob o sol escaldante, alto, forte, corpo digno dos antigos atletas gregos.

— Esse é o... — Iniciou Dione.

— Magno Dimitriades! — Falou Ártemis em um fio de voz.

— Meu Deus, que genes bendito o dessa família! — Sussurrou. — O outro é um deus, mas esse, com certeza, é dono do Olimpo. O Zeus em pessoa. — Falou Dione ainda abalada com a visão. — Garota você tirou a sorte grande, se não der certo com o Ares você pode investir no irmão que vai servir do mesmo jeito... Ou até melhor.

Nesse momento Magno dirigiu o olhar para as duas que desviaram os seus rapidamente.

— Espero que ele não tenha visto as nossas caras de pré adolescentes que nunca foram beijadas.

Ártemis riu.

— Vou lá atender o seu Zeus.

— Aproveite e pegue o número do telefone dele para mim. — Brincou.

Ártemis se aproximou.

— Boa tarde! — cumprimentou. — Em que posso ajudar?

Magno encostou-se no sofá e a olhou de cima a baixo. Então essa era a misteriosa namorada do irmão. Nada mal para uma suburbana. Corpo curvilíneo, pele aveludada e morena, olhos negros assim como os cabelos, longos e brilhantes. Com certeza, não frequentava nenhum SPA, academias ou salões de beleza, mas mesmo assim dava um "banho" em muitas das mulheres que conhecia. Alta, seu porte era elegante, o sorriso era simpático, emoldurado por lábios delicados. Ares não escolheria qualquer uma mesmo. — Avaliou. — O mal gosto por carros não se aplicava no quesito mulheres. 

— Boa tarde! — Cumprimentou. — Na verdade eu ainda não me decidi. O que você recomenda?

— O hambúrguer duplo é o mais pedido aqui!

— Então vai ser esse e um suco de laranja, por favor!

— Ok! — Disse ela se afastando.

Magno continuou a observar Ártemis, o andar também era muito sensual, seus quadris se moviam suavemente, as pernas longas que o vestido de garçonete fazia questão de mostra-las, com certeza foram feitas para passarelas, estranhamente ela estava ali em uma lanchonete de faculdade. Lembrou que disse ao irmão que a namorada dele deveria ser muito feia, falou apenas para provocar, sabia que Ares escolheria alguém a altura. Ele provavelmente surtaria se soubesse que Magno estava a poucos metros de sua deusa. Ela era bonita, muito bonita, mas nem toda beleza desse mundo fariam Magno implorar o amor ou a companhia de alguém como Ares estava fazendo.

Ártemis não demorou a voltar.

— Aqui está! — Disse entregando o pedido. — Qualquer coisa é só chamar.

— Obrigado, mas para isso precisarei saber seu nome.

Então ele não a conhecia? — Pensou Ártemis. Ares não tinha falado sobre ela ao irmão. Então o que ele estava fazendo ali?

— Me chamo Ártemis! — Respondeu pondo um fim a seus devaneios.

— Magno Dimitriades! — Falou estendendo a mão para cumprimentá-la.

— Eu sei! — Disse com um sorriso. — Você é político.

— Na verdade, meu pai e irmão é que são, eles é quem estão a frente das decisões, eu sou apenas o suplente de um e assessor do outro. — Falou. — Você se interessa por política?

— Gosto de acompanhar, estar a par do que acontece no senado, mas não sou filiada a nenhum partido.

— Entendo! — Disse. — Mas se um dia quiser conhecer melhor as propostas do senado, me ligue. — Falou entregando um cartão a ela. Ártemis observou o papel enquanto Magno se levantava com o hambúrguer nas mãos. Aproximando-se ele cravou os olhos azuis na jovem e intimidador falou: — Será um prazer lhe introduzir a política. — Mordeu o lábio inferior e baixou os olhos para o decote sinuoso do vestido de garçonete. Sorrindo cinicamente se afastou. Já do lado de fora, olhou pela vidraça da janela e sorriu mais uma vez para Ártemis deixando claro as suas intenções. Ela permanecia parada no mesmo lugar, atônita com a atitude dele.

— Ele usou as palavras "prazer e introduzir" na mesma frase? — Perguntou Dione as costas de Ártemis que engoliu em seco. — Como foi que a conversa chegou a esse ponto? 

— Eu não sei! — Disse num fio de voz. — Estávamos falando de política e em outro momento ele mudou totalmente o rumo das coisas. — Ártemis sentiu seu sangue ferver. — Quem ele pensa que é?

— Não sei, mas se sentiu a vontade para dar em cima da cunhada!

— Ele não me conhece. — Esclareceu. — Não sabia meu nome. Não sabe nada sobre mim.

— Talvez! — Dione deu de ombros.

— Como assim? — Disse Ártemis virando-se de frente para a amiga.

— Ele pode estar te testando a pedido do irmão!

— Ares não faria isso, ele não tem motivos. Não sou nada dele e já deixei isso bem claro, estamos apenas nos conhecendo e aproveitando a companhia um do outro.

— Não sei Ártemis! — Falou Dione. — Essa atitude me pareceu muito estranha.

— Talvez seja tudo uma coincidência, duvido que insinuasse algo se soubesse que estou saindo com o irmão dele. — Avaliou inocentemente.


♖♜___Α Fορταλεzα___♖♜


Magno atravessou a avenida e entrou na limusine que o aguardava.

Segurou o dossiê que foi providenciado pela equipe de Tito a seu pedido, em menos de vinte e quatro horas recebeu os relatórios com todas as informações que precisava sobre a garota. O dossiê mostrava aquilo que ele já desconfiava, seu irmão tinha sido fisgado por uma "caça dotes". Uma mulher que possuía toda aquela beleza exótica, com certeza, não deveria ter dificuldades para executar seus planos. — Pensou ele folheando o documento. — Viu informações relevantes, porém, como havia pedido, queria tudo, absolutamente tudo, cada passo de Ártemis no passado e era exatamente isso que tinha em suas mãos. Pagava bem, exigia perfeição. As informações o levaram a concluir que ela não era tão doce como seu suporto nome, que, aliás, não era citado no documento. — Por que Mel? — Questionou-se, talvez fosse um de seus disfarces, afinal, criminosa que se preze tem um apelido sensual, deveria ser mais uma de suas táticas para fazer os homens de idiotas. Como se sua beleza já não fosse suficiente.

— Achou o que procurava senhor? — Perguntou seu motorista e segurança, Tito.

— Encontrei muito mais do que procurava! — Falou misterioso. — Havia ido ali só para confirmar o que tinha lido no dossiê, precisava vê-la com seus próprios olhos para acreditar que era a mesma pessoa. Depois de tantos anos o destino havia colocado aquela mulher no seu caminho novamente, era inacreditável, mas nos documentos em suas mãos haviam provas irrefutáveis. Ela estava muito diferente, mas se tratava da própria, a senhora Menegaki.

Magno poderia ter se livrado dela ali mesmo na lanchonete, fazer-lhe uma oferta generosa e a ver partir para longe. Poderia ter ameaçado sua família ou simplesmente lhe dito que contaria a verdade para Ares sobre suas praticas ambiciosas. O irmão ficaria enojado, tinha verdadeiro desprezo por pessoas gananciosas graças ao pai.

Mas Magno não faria isso, Ares estava muito envolvido, lhe contar a verdade sobre "sua deusa" o deixaria muito magoado. O melhor a fazer era ridicularizá-la, infernizar sua vida até que nunca mais pensasse em roubar alguém, principalmente velhos moribundos. Seria divertido, queria ver Ártemis espantada com suas palavras muitas outras vezes. Sabia que tudo não passava de encenação, mulheres como ela sabem bem como interpretar vários personagens, se adéquam ao ambiente. Talvez ela contasse ao irmão sobre ele, provavelmente contaria. — Pensou. — Ares logo saberia que ele contatou uma investigação sobre ela e não ficaria nada feliz. Mas estaria preparado, esperaria pela fúria de Ares, a fúria do deus da guerra.

Soltou os papéis no banco e recostou-se. Riu lembrando-se da expressão dela pela sua proposta de "lhe introduzir a política", sem dúvida ficou surpresa, mas não o rejeitou. Ela poderia ter mostrado indignação, mas não o fez. A falta de reação de Ártemis diante da sua investida era muito significativa. Lembrou do seu olhar de interesse quando entrou no local, com certeza ela tinha gostado do que viu. Será que agora estava em dúvida entre ele e o irmão? Se não estava, ficaria em breve, pois, ele estava disposto a tirá-la do caminho de Ares. Os meios justificariam os fins.


♖♜___Α Fορταλεzα___♜♖


E ai queridas o que acharam? O que será que Ártemis fez para deixar Magno com uma impressão tão negativa a seu respeito?

Muito obrigada pelo carinho meus amores! Não esqueçam de dar uma estrelinha ★

Βeijo... Filia ;)

Shay ✿

A Fortaleza - Capítulo 1



Família Dimitriades 





Ártemis atravessou a avenida apressada, estava atrasada, levaria outra bronca de sua chefe. Fazia de tudo para chegar cedo, mas desde que começou seus estudos, não conseguia dar conta de mais nada. Seminários e provas martelavam em sua mente.


Cursava economia e se esforçava muito, pois, queria ter uma vida melhor. Ártemis sempre viveu com seus pais no campo. Uma vida tranquila, simples, mas muito feliz. Seus pais lhe deram muito apoio quando decidiu mudar-se para Atenas, a fim de ter mais oportunidades de trabalho e estudo, pretendiam também que ela deixasse para trás algumas intempéries do passado, sua vida precisava de um novo rumo.


Até agora só tinha conseguido o emprego de garçonete na lanchonete da faculdade onde estudava. Não era ruim, conseguia dinheiro para se sustentar. Ártemis não gastava muito, não se interessava por roupas caras ou coisas sofisticadas. Tinha um estilo meio folk, simples e confortável, tudo que precisava para continuar sendo feliz naquela metrópole louca.


Filha única de seus pais, era muito amada e protegida por eles. No auge dos seus vinte e quatro anos, era uma jovem amorosa e dedicada em tudo que se propunha fazer.


— Está atrasada! — Falou sua chefe assim que pôs os pés na Snak, café onde trabalhava.


— Desculpe! — Disse á chefe e amiga Dione, as duas dividiram um apartamento quando Ártemis chegou à Atenas e Dione foi quem lhe ofereceu o emprego no café, um mês depois Ártemis conseguiu alugar seu próprio apartamento.


— Desculpo se você disser que se atrasou por que teve uma noite quente com aquele deus, Ares... Até nome de deus ele tem! — Falou abanando-se simulando calor — Pelo Olimpo Ártemis, que homem!


— Tive uma noite quentíssima com a minha cama, isso sim! — disse sorrindo — Na verdade não foi tão maravilhosa assim, tive que estudar até ás três da manhã para acompanhar a turma.


— Ai, Ártemis! Você não sabe viver — reclamou Dione — É claro que tem que estudar, mas também precisa se divertir, descansar, relaxar e fazer amor com um deus de vez em quando — riu maliciosa.


— Deixe de falar besteira. — Pediu. — Vamos trabalhar que é melhor.


À noite, depois da aula, Ártemis seguiu para casa, precisava de um banho quente e uma xícara de chá para relaxar seu corpo cansado, mas foi impedida de seguir seus planos quando seu telefone tocou. — Quem seria uma hora dessas? — Pensou já avaliando as possibilidades — Fosse quem fosse teria que ser breve, pois precisava muito descasar — pensou tirado o aparelho do gancho.


— Alô!...


♖♜___Α Fορταλεzα___♖♜




Magno Dimitriades estava sentado no banco do caro e luxuoso Porsche do irmão.


— E ai? O que achou? — Perguntou Ares.


— É bom! Bonito e silencioso, mas prefiro meu Lamborghini. — Disse ele vendo o irmão fazer uma careta.


— Quando você crescer, irmãozinho, vai saber a diferença entre beleza e funcionalidade! — Falou Ares.


— E talvez quando você crescer consiga me explicar o sentido de comprar um carro diferente a cada lua cheia. — Retrucou Magno.


— Não seja por isso, eu lhe explico agora mesmo. — Disse com um sorriso cínico. – Carros, assim como mulheres, são obras primas. Devem ser criados por grandes homens para apreciação de outros grandes homens. Devem ser amados e desfrutados intensamente.


— Nada de moderação. — Completou Magno.


— Isso mesmo, sem moderação. — Disse Ares com um sorriso de canto.


— É isso que você tem feito com a tal Mel? Tem apreciado sem moderação? — Perguntou Magno que tentava arrancar do irmão algo sobre a misteriosa garota com quem Ares vinha saindo. Sempre foram amigos, seu irmão lhe contava tudo sobre sua vida, mas ultimamente vinha fazendo segredo sobre sua mais nova conquista. Sempre que Magno tentava saber sobre a tal Mel, Ares mudava o rumo da conversa. Magno só descobriu sobre a existência da garota porque Ares chamou o nome dela várias vezes enquanto dormia.


Ouviu o irmão mais velho suspirar a menção do nome da garota misteriosa, riu, mas não respondeu. Ele estava muito diferente, saía à noite, mas dispensava companhias, coisa que nunca havia acontecido antes. Com certeza, essa garota era mais importante para ele do que Magno havia julgado. Queria conhecê-la, mas Ares insistia em guardar segredo.


Era difícil acreditar que o irmão estava apaixonado por alguém. Conhecido por fazer sucesso entre as mulheres. O filho mais velho do senador Dominic Dimitriades vivia uma vida de luxuria ao lado das mais belas gregas. Magno não ficava atrás, dono de uma beleza ímpar, conseguia do sexo oposto tudo que queria e assim como o irmão não pensava nem um pouco em ter um relacionamento sério, estava bem solteiro, fazia o que queria com quem queria e quando queria. Igualmente bonitos e sedutores.


— Não vou insistir, — deu-se por vencido. — já deu para perceber que você não vai mesmo falar sobre a tal Mel. — Disse Magno. — Ela não é uma mulher mais velha, é? Nossa mãe não iria gostar nem um pouco de ter alguém competindo com ela.


— Não! Ela é jovem, mas não me pergunte mais nada!


— Eu só não entendo por que tanto mistério com uma mulher.


— Não tem mistério, eu só não estou a fim de falar. — Justificou Ares.


— Você está gostando dela?


— Talvez! — Respondeu.


— Então, devo lhe lembrar que se você começar um relacionamento sério com essa garota tudo que é seu será automaticamente meu, inclusive essa belezinha. — Falou Magno se referindo ao Porsche, Ares revirou os olhos. — São as regras do jogo. Quem se apaixona é quem perde.


Ares não respondeu, queria encerrar o assunto sobre Ártemis. Lembrou quando a conheceu em uma livraria, teve que insistir muito para que ela dissesse seu nome, e assustada com a insistência dele, a garota disse um nome falso, Mel. Depois que se conheceram melhor e ela percebeu que não era nenhum psicopata, revelou seu nome verdadeiro, Ártemis, porém ele continuava a chamá-la por Mel, combinava mais com seu jeito doce, com o tom da sua pele e com o gosto do seu beijo.

Apesar de Ares se esforçar para estar com ela, Ártemis parecia fugir dele, sempre estava ocupada, trabalhava e estudava muito, nunca tinha tempo para um jantar romântico ou um encontro a dois. O pior é que ele, sem perceber, acabou se envolvendo mais do que queria. O que deveria ser apenas uma noite se transformou em dois meses, não conseguia tirá-la da cabeça. Estava mais acostumado com mulheres sedutoras, que adoravam sexo casual e que o olhavam com desejo, mas o jeito de menina certinha e o ar inocente de Ártemis o fisgou. A principio, quis levá-la para cama e acabar de vez com aquele brilho angelical de seus olhos, mas, mesmo depois que fizeram amor, ela continuou brilhando como um anjo. — Encantadora! — Pensou ele que nunca viu nada igual e isso a tornou especial aos seus olhos. Aos poucos dispensou as outras, só queria estar com ela, sentindo o calor de seu corpo e o doce de seus beijos.


Passaram pela ponte que ligava a mansão Dimitriades a saída principal para o centro de Atenas. Os grandes muros da propriedade que no passado fora uma fortaleza construída para servir de observatório, prisão e depósito de armas, garantindo assim a segurança da cidade contra possíveis invasões pelo mar, havia sido completamente restaurada por seu pai, antes em ruínas devido às ações do tempo, agora era uma das mansões mais luxuosas de Atenas, lar de sua família.


Ares estacionou o carro na garagem e entrou no hall seguido por Magno. Foram recebidos pela mãe, Hebe e também a governanta que trabalhava para eles desde que eram crianças.


— Kalispéra, senhores! — Cumprimentou a governanta.


— Boa tarde, Dafna. — Responderam em unissom.


— Como foi a manhã de vocês, meus amores? — Perguntou Hebe depositando beijos nos filhos.


— Como sempre mamãe. — Falou Magno desanimado. — Assessoramos o papai, discutimos alguns projetos com alguns governadores. Não entendo a falta de disposição deles em fazer algo que beneficiará tantas pessoas. Querem estar no poder só pelo status.


— Então graças a Deus temos vocês, que não precisam de fama e nem de dinheiro. — Disse Hebe.


— Eu gosto de trabalhar pelo povo, alguém precisa defender os interesses dos menos favorecidos. — Falou Magno.


— Como ele é lindo, não é mamãe? — Disse Ares alisando o rosto do irmão para provocá-lo — Típico estudante de filosofia. Sócrates ficaria orgulhoso de você.


— Tire a mão de mim! — Resmungou dando um tapa no irmão para afastá-lo. — E não me formei em filosofia, me formei em sociologia, mas claro, você não sabe a diferença. Sempre preferiu cair na noite ao invés de estudar.


— As pessoas estudam para terem um bom emprego e conseguirem dinheiro suficiente para bancar o luxo que acreditam merecer. Eu já tenho todo o luxo que mereço, não precisei estudar. — Falou debochado ainda tentando irritar Magno. 


No fundo não acreditava naquilo, mas a verdade é que nunca se interessou especificamente por nenhuma área como o irmão que decidiu que estudaria para compreender melhor as transformações da sociedade. Tentou Direito, passou pouco tempo na faculdade, só o suficiente para perceber que não se encaixava ali também. 

— Sou um dos homens mais ricos de toda Grécia... — Ostentou.— Não preciso estudar.


— Não se estuda pelo dinheiro, se estuda pelo conhecimento! — Argumentou Magno.


— Típico papo de filósofo! — Disse gesticulando com as mãos.


— É sociólogo, imbecil.


— Vamos parar crianças. — Pediu Hebe. — Vão se preparar que vou pedir para servirem o almoço daqui a meia hora.


Seguiram para seus respectivos quartos e no corredor, Ares continuou com suas brincadeiras.


— Realmente irmãozinho, não entendo nada de filosofia ou sociologia, mas de uma coisa eu sei... — Abriu a porta do quarto e entrou. — Você fica muito animadinho quando vê um homem meditando. — dizendo isso, fechou a porta com rapidez, pois sabia que Magno iria tentar agredi-lo.


 — Você me paga, Ares! — falou Magno do outro lado da porta — Ares jogou o paletó em cima da cama e soltou uma gargalhada 


— Volte para seus livros amorzinho, deixe a política comigo, um homem de verdade.


Ares só ouviu o forte barulho na porta, como uma pancada e riu mais ainda. Adorava provocar o irmão mais novo. Magno era muito profissional e honesto, ele admirava isso, mas mesmo assim gostava de ir contra suas ideias socialistas, só para irritá-lo.


Atualmente Magno era seu Suplente e assessorava seu pai, mas eles já tinham planos para ele, queriam que Magno assumisse um lugar fixo no senado. O irmão tinha ideias grandiosas para o povo que, infelizmente, sempre eram descartadas por Dominic que só queria saber de poder. Um dia quando chegasse ao senado, Ares faria questão de se unir a ele para executarem suas ideias.


— Dominic. — Pensou Ares, o pai era a ganância em pessoa, no dia anterior teve mais uma discussão por causa da herança deixada pelo avô e pai de Dominic, ele insistia que Ares deveria lhe dispor pelo menos a metade do que recebeu, já que ele é quem deveria ter herdado a fortuna, porém Ares mais uma vez se recusou a fazê-lo, o pai não precisava de dinheiro, mesmo assim queria sempre mais. Se dependesse dele não teria nada. O avô havia deixado claro que apenas Ares ou quem ele nomeasse como futuro herdeiro deveria usufruir da fortuna. Seu avô conhecia a ganância do filho, assim nomeou um de seus netos como herdeiro direto.


Apôs o jantar a família se recolheu, mas Ares não conseguia dormir, olhou para o relógio e viu marcado dez horas. — Ela deveria estar acordada! — Pensou, levando seus pensamentos a Ártemis, sua Mel. Pegou o telefone e discou os números enquanto se encaminhava a cozinha, depois de duas tentativas ela finalmente atendeu.


— Pensei que fosse dormir sem ouvir sua voz! — Falou ele.


— Boa noite Ares, como vai? Demorei por que estava tentando abrir a porta de casa, ela emperrou essa semana e estou tendo dificuldades para forçá-la.


— Se você quiser eu passo ai amanhã e resolvo esse problema.


— Você? — Perguntou surpresa.


— Sim, eu! — Confirmou. — Você não sabe que políticos são bons em consertar coisas? — Ouviu o silêncio do outro lado da linha e decidiu completar. — Pelo menos é o que diz a teoria.


Ártemis riu da confusão dele.


— E quanto seria?


— Um beijo, talvez dois! — Sugeriu. — Mel, fazem duas semanas que não nos vemos, eu estou com muitas saudades de você, preciso te ver. Que tal amanhã? Podemos almoçar juntos.


— Não vai dar, meus horários de almoço estão reduzidos porque tenho que estudar.


— Não faça assim, eu não aguento mais um dia sem te ver, penso em você a toda hora. Pelo menos por alguns minutos me dê o prazer da sua companhia.


Magno descia as escadas quando ouviu a voz de Ares, parecia estar conversando com alguém, descobriu logo que se tratava da misteriosa Mel. Nunca imaginou que o irmão pudesse fazer um papel tão patético, implorar a companhia de uma mulher dessa forma era vergonhoso. Magno estava cada vez mais curioso sobre a "namorada" de Ares. — Quem seria ela? — Perguntou-se, talvez a filha de alguém importante por isso mantinha discrição, afinal, a reputação deles não eram das melhores, quer dizer, não com as mulheres.


— Sem discussão, amanhã vou buscar você para almoçarmos. — Falou Ares. A garota pareceu concordar, pois o irmão se despediu animado.


Magno entrou na cozinha e lançou um olhar cínico para ele.


— Quem diria... O grande Ares Dimitriades implorando a companhia de uma mulher. — Riu, daria o troco agora. — Ela deve ser uma deusa, a própria Afrodite!


— Ouvindo conversas alheias? — Perguntou Ares tentando fugir das questões.


— Deve ser extremamente cobiçada para não querer sair com você. — Falou aproximando-se. — Não é a filha do primeiro ministro, é? Alguma celebridade internacional?


— Já disse que não quero falar sobre ela. — Respondeu Ares.


— Mas porque não? Se você gosta tanto dela a ponto de se humilhar dessa forma acho que deveríamos conhecê-la.


— Não Magno! — Disse irritado. — Prefiro deixar como está. Mel é uma garota simples, vive uma vida normal, trabalha e estuda, não é como as mulheres que conhecemos que gostam de ostentar e esbanjar o que possuem.


— Uma suburbana você quer dizer? — Perguntou surpreso. — E eu aqui imaginando alguma filha de outro político, ou uma pop star...


— É, eu percebi. — Disse. — Ficou desapontado?


— Confesso que esperava algo grandioso, mas você sabe que não dou importância a status social, diferente do papai. — Magno encostou-se na parede da cozinha e cruzou os braços. — Fico pensando na reação dele quando souber que mais um de seus sonhos gananciosos sobre você não vai dar certo.


— Não dou a mínima para o que ele quer! — Falou passando pelo irmão e se dirigindo as escadas. — Boa noite, Magno!


— Boa noite! — Respondeu vendo o irmão se afastar, esperava que essa Mel fosse algo passageiro, seu irmão já tinha problemas demais com o pai por causa da herança e um namoro de Ares com uma pessoa que não fosse de seu meio traria mais discórdia. Uma aventura era uma coisa, mas romance... Não quis dizer nada para não chateá-lo, mas sabia que a tal Mel não seria bem vinda no meio Dimitriades. Seu pai era assim, ganancioso e preconceituoso. Era melhor ficar de olho em Ares, as vezes ele podia ser muito ingênuo. Tinha o péssimo hábito de confiar demais nas pessoas. Para certificar a integridade do irmão teria que descobrir quem era Mel, afinal de contas já dizia o ditado: "diz-me com quem andas e te direi quem és", não seria difícil saber sobre ela, com ajuda de seus contatos conseguiria um perfil.

— Vamos ver se você é tão doce quanto o nome!


♖♜___Α Fορταλεzα___♖♜



Kalispéra: Boa Tarde!





Bem vindas ao Monte Olimpo... Magno, Ares e Ártemis prometem muitas emoções... Lágrimas e sorrisos irão nos acompanhar durante toda essa história cheia de mistério.


Esse foi o primeiro capítulo de A Fortaleza, espero que tenha despertado muita curiosidade. Será um prazer ter a companhia de vocês em mais uma aventura apaixonante!


A Fortaleza foi meu primeiro livro, seguido de Amor em Istambul e logo após Possuídos pela Paixão, mas só agora estou disponibilizando-o, e posso dizer que estou muito feliz por compartilha-lo com vc's minhas eternas canin's.


Muito obrigada pelo carinho meus amores! Não esqueçam de dar uma estrelinha se gostarem ★



Βeijo... Filía ;)



Shay ✿  

Amor na Capadócia - Capítulo 3

sábado, 14 de maio de 2016

Derya chegou a Istambul antes do meio dia. Sua linda cidade continuava esplendorosa, não podia negar que sentiu falta daquela agitação.
Desceu do táxi em frente a casa do avô que estava, como de costume, em sua cadeira na varanda. Ele a olhou sorridente, não demonstrando nenhuma surpresa por ela está ali.
Derya subiu os pequenos degraus e parou a frente dele.
— Deixe-me adivinha! — pediu ela — Tio Mehmet o avisou que eu viria.
Mustafá se levantou.
— Não!
— Então porque não vejo surpresa em seu olhar?
— Por que estou esperando por esse momento a quase dois anos. Apesar de ser um longo período eu sempre soube que ele aconteceria.
— Não voltei para ficar vovô!
— Não pode voltar de onde nunca saiu, Derya.
Derya sorriu. Mustafá adiantou-se e ela segurou-lhe a mão e levou ao rosto pedindo a benção a aquele que era a base de sua família.
— Que Deus a abençoe, filha!
Derya abraçou o avô e ele a ela.
— Senti muito a sua falta, vovô!
— E eu a sua, minha princesa — disse enquanto a abraçava forte — Fico feliz que o Capitão Teo conseguiu chegar até você.
Derya se afastou e olhou para o avô um tanto surpresa.
— Eu sabia que dessa vez ele conseguiria — disse sorrindo — Vamos entrar, temos muito para conversar.
Chegaram ao escritório do avô e Derya olhava ao redor lembrando-se dos momentos maravilhosos que viveu naquele lugar.
— Ozan está?
— Não, apenas sua tia. Ozan, Meli e Aslan foram visitar os pais de Meli em Paris.
— Que pena, queria muito conhecer o próximo patriarca dessa família — disse sorrindo e pegando um porta retrato do garotinho loiro que estava em cima da mesa do avô.
— Ele é um ótimo garoto, um pouco levado, mas qual criança não é?
Derya sorriu.
— Verdade! — concordou — E Maria? A vi na foto que Murat me enviou, é tão linda. Também tem cara de levada.
O avô sorriu.
— A luz dessa família, minha Maria! — falou orgulhoso — É a garota mais bonita que eu já vi. Tem um pouco de Murat, um pouco de Ayla e o gênio dos dois.
— Deus! — exclamou assustada — Adoraria conhecê-la.
— Tem cinco meses apenas, mas já conseguimos ver o quão esperta é. Só espero que não dê tanto trabalho como os pais me deram.
— Sinceramente vovô, acho que ter trabalho com os netos é o seu carma. Não dá para fugir.
— Mas mereço uma folga, não acha? Vocês já me causaram emoções demais para uma vida — disse sentando-se.
Derya sentou-se a frente dele, olharam-se longamente em silêncio.
— Está magoada?
— Não sei o que estou sentindo na verdade. Vim aqui na esperança do senhor me negar tudo que ouvi de Teo.
— Infelizmente isso não será possível querida, pois o Capitão Karadeniz só disse a verdade. Ele não teve culpa de nada, seu pai arquitetou tudo para afastar Ayla de Murat e ele foi mais uma vítima. Seu pai ameaçou a filha dele, e eu entendo perfeitamente por que ele aceitou participar de tudo, o que me deixou mais surpreso na atitude de Teo foi quando ele veio até mim contar o que estava acontecendo, pois corria o risco de perder a filha para sempre. Mas, mesmo assim, ele arriscou tudo por amor a você.
— Não vovô! Não fale isso, não quero saber de Teo — disse levantando-se — Fale-me sobre meu pai. Por que ele agiu dessa forma? Onde ele está agora?
— Como disse, ele queria separar Murat de Ayla, seu pai sempre foi rígido e você bem sabe que ele nunca aprovou o romance dos dois. Deixei a decisão nas mãos de Murat sobre o que fazer com ele e seu irmão, sabiamente, decidiu enviá-lo para Rize, para se unir a um dos seus tios, meu irmão. Seu pai agora está tentando se encontrar, orando pela misericórdia de Deus e para que seus erros sejam perdoados.
— O senhor acha que Deus não o perdoou ainda?
— Claro que sim, filha. Seu pai já mostrou arrependimento e Deus nos perdoa com amor. Eu também já o perdoei, assim como toda a família, mas ele ainda não se perdoou, sente culpa, rancor e vergonha por tudo que fez. E acredite minha flor, não há dor maior que a culpa e a vergonha.
— Ele poderia ter tirado a vida de Murat ou a de Ayla.
— Ou a de Teo!
Derya se sentiu incomodada ao ouvir o nome dele.
— Não me preocupo com ele!
— Não? Mas Teo tem uma filha, uma garotinha como a nossa Maria. Imagine se algo ruim acontecesse a ele, essa garota ficaria desamparada. Não tem mais a mãe, só tem a ele — insistiu — Filha, não deve culpá-lo de nada, mesmo se ele tivesse culpa em algo mereceria todo o seu perdão, pois fez a coisa certa, salvou a honra de Ayla, o coração de Murat e está tentando salvar a sua vida. Se o odiar, estará agindo como seu pai e sendo injusta.
— Não consigo perdoá-lo.
— Por que tornou-se uma mulher dura demais.
— A vida militar faz isso conosco, nos deixa menos sensíveis e isso é necessário para encararmos um combate.
— Você está errada, Derya! Para ser um bom militar precisa-se de sensibilidade, de amor e de justiça. Ao encarar uma batalha você precisa ser justa ao decidir se precisa ferir alguém, de sensibilidade para decidir como vai ferir alguém e de amor para seguir após essas decisões. Não se faz um bom militar com ódio, com rancor, dando-lhes estímulos como vingança ou medo — esclareceu — Por que acha que estamos enfrentando momentos tão tensos no mundo? Alguém está treinando seus exércitos com as razões erradas. Você não se tornará esse tipo de militar, é uma sargento, comanda pessoas, tem que saber pelo que luta, tem que passar para os seus subordinados que nada mais que justiça deve ser feita. Nunca dê demais e nunca dê de menos, Derya.
— É difícil em meio a uma tormenta encontrar uma forma justa de agir, vovô!
— Sim, você tem razão! Mas todas as batalhas que você lutar, dentro e fora do quartel vão te ensinar a decidir como deve agir. Isso se você permitir. Vai aprender como é fácil ser justa, assim que fizer justiça.
— O senhor quer que eu perdoe Teo!
— Não, porque não há o que se perdoar. O Capitão não fez nada de errado. A não ser que exista mais em toda essa história do que você e ele estão me contando.
Derya engoliu em seco andando de um lado para o outro.
— Não há nada a mais! Apenas meu orgulho ferido, pois sei que ele amava Ayla e só se interessou por mim por que ela não o quis.
— Isso não é verdade. Sou um homem velho, mas não sou tolo. Eu sei o que Teomam sente por você. Um homem jamais chega até onde ele chegou por uma mulher que não ama — disse a olhando sério — Ele pode ter se interessado por Ayla, assim como você ela é uma mulher linda, inteligente e corajosa. Mas você quem despertou o coração dele para a vida outra vez, foi por você que ele se arriscou. Por você ele deixou a única filha na Suíça. Por você ele voltou a vida que jurou não viver mais. Se Teomam está de volta ao exército é por sua causa. Minha querida, se isso não for amor, eu não sei o que pode ser.
Derya suspirou, baixando os olhos.
— Você está magoada com você mesma e não aceita.
— Fiz algo horrível vovô! — disse chorosa. Sentando-se novamente.
— O que fez querida? Me conte.
— O senhor jamais vai me perdoar — falou deixando as lágrimas rolarem.
— Sinta-se perdoada.
Derya continuou de cabeça baixa não se sentindo digna de encarar o avô. Mustafá se aproximou dele e segurando-a pelo queixo levantou seu rosto molhado a fazendo encará-lo.
— Me conte!
Ela olhou-o sentindo a piedade dos olhos cansados do avô.
— Sim, vovô!

☵☵☵ ✤ Δmor na Capadócia ✤ ☵☵☵

Teo chegou a casa de Mustafá mais cedo do que esperava. Não deixaria Derya fugir mais uma vez, precisava dela em sua vida. Sabia que causara muito mal, porém estava disposto a se redimir.
Bateu a porta e Selin o recebeu.
— Ah! Teo, que surpresa, Derya não avisou que viria. Entre, por favor, eles estão no escritório conversando. Vou avisar que está aqui.
— Não, não se incomode, eu espero!
— Certo, então sente-se. Aceita algo?
— Uma água, por favor!
— Vou buscar. Fique a vontade.
— Obrigado!
Teo sentou-se olhou ao redor lembrando-se da última vez que esteve ali. A casa não havia mudado em nada. Era bom saber que algumas coisas permaneciam do mesmo jeito.
Ouviu de longe o que parecia ser um choro. Era Derya, constatou. O avô deveria ter confirmado o seu relato sobre o pai dela. Sua pobre çiçek, deve ter sofrido muito ao entrar no exército, imaginava o quanto foi humilhada, pressionada e hostilizada naquele lugar.
— Aqui está! Disse Selin voltando.
— Obrigado!
Ela o olhou atenta.
— Tem certeza que não quer que eu os avise que está aqui?
— Tenho, prefiro deixar que eles conversem a sós. Derya tem muito a ouvir.
Ela assentiu.
— Está sendo um momento muito difícil para ela, não é?
— Sim, não está conseguindo lidar com a verdade.
— Dê tempo a ela. Derya sempre foi uma ótima menina, as vezes muito medrosa é superprotegida, então tudo para ela acaba sendo mais difícil. Nos surpreendeu muito quando decidiu ser militar.
— A mim também. Ninguém acreditava que ela pudesse durar tanto tempo e ainda conseguir um cargo. É sem dúvida um motivo de orgulho para vocês.
— Sim é! Mas a queríamos aqui, perto da família e trabalhando com algo mais seguro.
— Ela virá, eu a trarei de volta. Voltei a Turquia para isso.
Mal terminou de dizer suas palavras e Mustafá apareceu na sala acompanhado da neta que surpresa olhava para ele.
— Capitão Karadeniz!
Ele levantou-se para cumprimentar o velho senhor.
— O que faz aqui? — perguntou Derya.
— Seja bem vindo novamente! — disse Mustafá sobrepondo sua voz a da neta.
— Obrigado General.
— Sente-se, — pediu Mustafá — Derya estava me contando que finalmente soube da verdade sobre tudo que aconteceu. Espero que agora esteja tudo bem entre vocês.
Falou ele pressionando uma resposta positiva da neta que o olhava enigmática.
— Eu também espero que sim! — disse suspirando e a olhando esperando uma resposta, mas Derya nada disse.
— Quem cala consente, Capitão. — disse Mustafá seguro — Graças a Allah tudo foi esclarecido. Minha família cumpriu seu dever com a injustiça que causou a você. Espero que a partir de hoje sejamos amigos. Minhas casa está de portas abertas para receber você e a sua filha. Aliás, como ela está?
Derya viu pela primeira vez desde o reencontro, Teo sorrir.
— Está ótima! Ficou chateada quando eu disse que teria que viajar, mas ela é muito doce e compreensiva, me entendeu e pude vir sem problemas, mas tenho que ligar para ela todas as noites se não fica brava comigo.
Mustafá sorriu.
— É compreensível, ela se preocupa com você, sem falar que já passaram muito tempo longe um do outro. Eu adoraria conhecê-la, quando vai trazê-la a Istambul para nos apresentar. Tenho certeza que Derya está tão curiosa quanto eu, ela adora crianças, não é querida?
Teo e ela se olharam e Derya apenas assentiu.
— Um dia minha Derya me dará muitos netos e...
— Vovô... — cortou-o — Incomoda-se se eu subir e descansar um pouco? A viagem foi muito cansativa.
— Claro que não querida, pode ir, ficarei conversando com o Capitão.
Ela limitou-se em assentir e saiu, deixando-os a sós.
— Como ela reagiu? — perguntou Teo a Mustafá com ar preocupado.
— Mal. Mas com o tempo as coisas vão ficar mais claras na cabeça dela — disse o velho senhor — Derya não mudou. Por fora, demonstra segurança e dureza, mas não é isso que sente por dentro. Ainda é a mesma menina sensível que todos conhecem. Seja paciente Teo, ela está magoada com muita coisa que aconteceu e precisa se sentir bem, pois entendi que a decepção que sente é consigo mesma e não com você.
— Gostaria de poder fazer algo para acelerar esse processo.
— Não viva ansioso Teo, uma fruta que não amadureceu tem um sabor amargo. Saiba esperar e provará umdoce sabor.
A noite, todos se juntaram a mesa para jantar, os homens falavam sobre a carreira militar, o avô entusiasmado falava sobre como era no seu tempo e Teo parecia muito interessado. Derya não havia trocado nenhuma palavra com ele, passou toda a tarde no quarto o evitando, Teo também havia sido instalado em um dos quartos do andar de cima, ouviu ele e o avô conversando quando se dirigiam ao quarto de hospedes. Ele também passaria a noite em Kadikoy, pelo visto só sairia de lá com ela.
Olhou-o disfarçadamente, talvez ele não tivesse culpa em tudo, mas a magoou mesmo assim, poderia ter confiado nela e contado o que estava acontecendo. O ajudaria e evitaria tanto sofrimento. Porém Teo preferiu se calar e continuar com aquele armação absurda, mas também tinha a filha dele, se falasse poria em risco a menina e poderia perdê-la, mesmo assim ele falou, contou tudo ao seu avô e evitou que uma injustiça fosse feita, só Deus sabe o que poderia ter acontecido se ele não tivesse tido aquela atitude. Mas por que deixou para contar tudo após beijar Ayla, talvez Teo só tivesse percebido que não a amava após isso, ou talvez, se sentisse tão culpado por ter aceito a sua inocência que agora estava ali tentando se redimir, não era amor que ele sentia, era culpa, afinal ele também tinha uma filha.
Deus, quantas dúvidas, quantos por quês, nunca conseguiria confiar em Teo novamente e nunca perdoaria a si mesma pelas atitudes que tomou, diferente dele, não iria justificar seus atos, foi culpada e viveria para punir a si mesma pelos seus erros — pensou distraída.
— Derya! — chamou o avô e ela assustou-se derrubando a taça de água ao seu lado.
— Oh, querida! — disse Selin levantando-se com uma toalha para ajudá-la.
— Desculpe tia, eu estava distraída — Derya levantou-se — Desculpem, mas não estou com apetite. Vou para o meu quarto. Boa noite!
Ela não esperou pela permissão do avô ou pelos cumprimentos. Se retirou indo em direção ao quarto.
— Desculpe-a por isso Teo, como eu havia dito, ela ainda está muito magoada com tudo que aconteceu.
— Não se preocupe General, serei paciente. Vou esperar o tempo que for preciso.
Já era tarde quando Derya ouviu a porta do avô ser fechada. Pela janela do quarto via as luzes da ponte do Bósforo brilharem iluminando as águas do mar. Decidiu ir ao jardim respirar um pouco da brisa fresca. Sentia saudades de Istambul, principalmente a noite. Por muitas vezes lembrava-se de quando saia para dançar com os primos e o irmão. Sentia falta deles. De todos eles.
Desceu as escadas e ao passar pelo corredor onde ficava o escritório do avô ouviu a voz de Teo, ele conversava com alguém. Aproximou-se da porta entreaberta e o viu, ele estava no telefone, parecia feliz e divertia-se com o que o interlocutor lhe dizia. No rosto, um sorriso largo que não se dissipava.
— Sim querida, eu já entendi! — disse ele — Também estou com muitas saudades suas, louco para lhe encher de beijos.
Derya endureceu o rosto. Era uma mulher.
— Pode pedir o que quiser, sabe que faço tudo por você!
Então era assim que ele a amava, tendo outra a suas costas. Teo sempre foi um traidor e continuaria sendo, pessoas como ele não mudavam, costumavam por a culpa em alguém para se sair por santo, mas nem era preciso cavar tão fundo para encontrar a podridão que se escondia neles. Mas isso não ficaria assim.
Escancarou a porta e entrou, queria ver a reação dele e o que diria a ela quando jogasse na cara dele que era um mentiroso.
Teo viu a fúria no olhar de Derya, se ela estava ali, com certeza, ouviu sua conversa e pela expressão estava imaginando tudo errado.
— Querida, tem alguém aqui que gostaria de falar com você!
Teo fez sinal para que Derya se aproxima-se, ela o olhou entre confusa e incrédula e ele insistiu. Entregou o telefone a ela que o segurou sem saber bem se deveria falar ou não. O que Teo pretendia? Ele sorriu para ela e segurando sua mão a fez levar o aparelho ao ouvido.
— Alô! — a voz infantil soou do outro lado — Papai?
Oh meu Deus! Ele estava falando com a filha — concluiu — Mas que burra!
— Fale! — sussurrou ele.
— Oi! — disse Derya sem jeito.
— Oi! — a menina respondeu — Você deve ser Derya, não é?
— Sim!
— O papai já encontrou você? Ele foi ai te buscar. Eu também queria ir, mas ele não deixou — lamentou — Quando vocês voltam? Eu estou com saudades dele!
— Eu... Eu vou mandá-lo voltar para casa o mais rápido possível  respondeu olhando nos olhos dele.
— Você não vem?
— Eu... Acho melhor não!
— Mas ele disse que só voltaria se você viesse com ele. E também prometeu que vai trazer você para fazer brigadeiro para mim, você sabe fazer brigadeiro?
Derya não pode deixar de sorrir.
— Sei sim!
— Então você vem com ele, não é?
— Eu...
— Você gosta de bruxas? Você conhece alguma? Eu não gosto delas.
— Eu também não — falou insegura com medo de falar algo que fosse contra ao que a garota acreditava.
— Graças a Deus! — disse ela suspirando aliviada — Pensei que você fosse uma bruxa!
Derya riu novamente. Além de tagarela, ela era muito divertida.
— Não, eu não sou uma bruxa!
Teo arregalou os olhos, Pinar era imprevisível.
— Então você pode vir com meu pai, eu deixo!
— Certo! Muito obrigada — disse divertida.
— De nada. O Guto também vai gostar de conhecer você.
— Guto? — olhou para Teo curiosa, pensou que ele tivesse apenas uma menina.
— Sim, ele está morrendo de saudades do papai também, por isso você precisa vir com ele. Estamos muito tristes sem o papai aqui.
Derya sentiu seu coração apertar.
— Tudo bem!
— Promete que vai vir?
— Vou conversar com seu pai sobre isso — disse sem querer se comprometer.
— Tá, então agora eu vou dormir, papai disse que não era para eu ficar acordada até tarde se não, não vou crescer. Você sabia que a gente cresce enquanto dorme?
— Não, eu não sabia — disse Derya fazendo voz de surpresa — Você é uma garota muito inteligente.
— Papai também diz isso — falou divertida — Bem, Derya, eu gostei de conversar com você, mas preciso ir. Boa noite!
Derya se surpreendeu com a independência da garota.
— Eu também gostei muito de conversar com você. Boa noite!
Ela passou o telefone para Teo.
— Boa noite, meu amor. Sonhe com os anjos! — disse ele desligando em seguida.
— Pensei que tivesse apenas uma filha.
— Tenho apenas uma. Guto é o coelho de pelúcia que ela carrega para todos os lugares.
— Ah! — disse entendendo a situação — Pinar, não é? — ele fez que sim — Tem cinco anos? — ele assentiu mais uma vez — Ela é bem...
— Madura para a idade! — completou Teo — Minha filha passou por muita coisa, quando não se tem os pais por perto deve-se aprender a se cuidar sozinha.
Teo suspirou e ela lamentou pela criança.
— Mas isso é bom por um lado, ela desenvolveu a própria personalidade.
— Sim, e apesar de entender e perceber tudo a sua volta ela não deixou de ser criança, e ainda tem aquela ingenuidade que encanta.
— Deu para perceber. Disse a ela que eu era uma bruxa?
— Claro que não, Derya! Ela adora contos de fadas e as vezes se teleporta para esse mundo, culpa dos anos de mudança que teve. Não podia ficar muito tempo em lugar nenhum, não fez amigos. Essas histórias são a única coisa concreta na vida dela.
— Ela se sente segura assim!
— Sim! Mas isso vai mudar, quero dar uma família a Pinar. Um lar. Um lugar onde ela possa viver como qualquer outra criança, que possa ter uma vida normal. Possa sair do mundo da ficção e aproveitar um mundo real.
Derya assentiu e eles olharam-se longamente.
— Eu pensei que estivesse falando com...
— Uma mulher. Uma amante — completou — Vi em seu olhar. Sentiu ciúmes?
— Teo pare, por favor! — pediu — Eu ainda estou muito magoada com todos. Você, meu pai, minha família, vocês me esconderam a verdade durante todo esse ano, sofri, chorei, me revoltei...
— Eu imagino Derya, mas sua família não tem culpa. Eu quem pedi para que me deixassem contar a verdade, já havia escondido coisas de você e achei que era o mínimo que eu poderia fazer, olhar em seus olhos e dizer a verdade.
— Eu entendo você como pai. Juro que entendo. E admiro a forma com que protege a sua filha, mas como homem eu não sei quem você é.
— Só fiz o que fiz para proteger a minha filha.
— Tudo bem. Eu perdoo você! Mas não o quero por perto, volte para onde veio. Vá cuidar da sua filha, dê uma vida para ela, uma família, uma mãe. Ela é uma criança encantadora e merece ser feliz. Sinceramente, eu agradeço a você por ter contado a verdade ao meu irmão e ter impedido uma tragédia. O que meu pai fez com você foi terrível e me sinto envergonhada por ele. Mas Teo, o que houve entre nós acabou. Eu tenho outra vida agora, não sou mais aquela menina que você conheceu, eu não quero casar, não quero ter filhos, não mais. Vou viver com minha carreira e é só isso que quero da vida. Não há nada para você aqui. Por favor, vá embora!
Teo, parado a frente dela a olhava em dúvida, com toda aquela segurança ela parecia mesmo ter tomado uma decisão definitiva sobre a vida que queria e o deixou em dúvida.
— Tem certeza Derya, de que de tudo que vivemos não sobrou nada?
Derya suspirou.
— Quando soube que você havia beijado Ayla, tudo desmoronou Teo.
— Mas eu já expliquei que fui obrigado a isso. Não, amo e nunca amei sua prima — disse ele se aproximando mais até ficar poucos centímetros dela — Derya, você chegou em minha vida de um jeito tão especial. Eu não queria me apaixonar, não tinha essa pretensão, principalmente pela filha do homem que me ameaçava. Mas você, com seu olhar apaixonado, com atenção, inocência e docilidade derrubou minhas defesas. Não tive forças para lutar contra a encantadora flor que me olhava de igual para igual. Para você eu nunca fui um terrorista, um espião, um criminoso... No seus olhos eu era apenas um homem. Você não faz ideia de como me senti em nosso primeiro beijo... Em nossa primeira vez.
Derya sentiu a respiração ofegar ao lembrar dos momentos de amor ao lado dele.
— Pare Teo! — disse vendo-o cada vez mais perto — Não se aproxime.
Teo segurou o queixo dela delicadamente a obrigando a olhar em seus olhos.
— Como quer... Como espera que depois de ter me feito provar o amor mais perfeito, mais puro, mais sincero desse mundo eu me afaste? É impossível — disse sussurrando e aproximando-se mais — Durante todo esse tempo eu fui fiel a você. Não pensei ou desejei outra que não fosse você. É você, você Derya e mais ninguém que eu amo.
Teo capturou os lábios dela em um beijo profundo e cheio de desejo. Deslizou as mãos pelas costas macias e a apertou contra seu corpo. Levou uma das mãos aos cabelos dela e segurou-a pela nuca impedindo-a de se afastar, mas naquele momento ela nem pensara nisso, por mais que o tivesse odiado, por mais que o tivesse culpado por tudo que lhe aconteceu, era inegável que ainda o amava.
Enlaçou-o pelo pescoço com os braços e sentiu Teo suspirar. O beijo passou de exigente a terno e com doçura Teo provava os lábios de sua çiçek.
— Eu te amo! — sussurrou ele beijando o rosto e o pescoço dela — Derya, case-se comigo, quero ter você ao meu lado, quero que seja a mãe de Pinar... — Teo beijou-a outra vez e entre beijos continuou falando sobre seus desejos — Quero ter uma família com você, quero ter filhos com você...
Ela afastou-se bruscamente.
— O que foi? - perguntou assustado com reação repentina.
— Não me toque mais Teo — disse ofegante enquanto caminhava até a saída. Ele a seguiu e a segurou pelo braço.
— Me solte! — disse baixo, porém mostrando força.
— Não! — disse no mesmo tom — O que foi que fiz agora? Por acaso disse algo errado?
— Quantas vezes vou ter que pedir para que me deixe em paz, para que volte para sua filha e me esqueça? Não toque mais em mim Capitão ou não responderei por mim — disse soltando-se, virou-se para sair, mas se voltou para ele novamente — A propósito, sou uma mulher comprometida — disse saindo e batendo a porta do escritório deixando-o aturdido e abalado com a afirmação.
— Comprometida?

☵☵☵ ✤ Δmor na Capadócia ✤ ☵☵☵
Çiçek: Flor
 
Bom diaaaaaaa Canin's!
COMPROMETIDAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA?
Mas como assim, Jéssica? kkkkk
Deryaa querida, você quer enlouquecer esse Capitão? São Jorge da Capadócia segure esse homem agora...
E para quem ainda não conhece a Pinar, pode ir na minha página do facebook e encontrar um resumo sobre a personagem e fotos do avatar ;)
O que será que Derya esconde canins? Vamos fazer um bolão? kkkk Mas quem acertar vai dividir tudo com a autora emmm! hahaha
Boa semana na paz de Jesus para todos vocês!
Beijos... öpücük :)

Voto

 
FREE BLOGGER TEMPLATE BY DESIGNER BLOGS