Os dois se sentaram no sofá onde Oliver cochilava minutos antes, e Miranda começou a tentar se explicar.
- Eu não queria preocupar você. Achei que essa depressão fosse momentânea, que passaria logo. Não esperava que se prolongasse mais que o normal.
- Daí você decidiu se automedicar!
- Oliver, eu não consigo dormir, tenho pesadelos, acordo gritando, chorando... Eu achei que os calmantes fossem me ajudar - Miranda desviou o olhar para as luzes da ilha - É muito difícil você acordar e perceber que está só. Eu me sinto flutuando no espaço como se nunca fosse encontrar terra firme para pisar.
Oliver via nos olhos de Miranda um misto de tristeza e desespero. Sabia que ela não estava mentindo. Ele também se sentira "fora de orbita" com a morte do pai, mas ainda tinha a sua mãe e sua irmã. Miranda não era totalmente sozinha pois tinha seus avós, tios e primos que eram muito cuidadosos com ela, mas não era a mesma coisa. Segurando sua mão disse:
- Ei, você não está só, eu estou aqui para o que você precisar. Fiquei chateado por que imaginei que eu seria sua primeira opção de ajuda, não os remédios...
- Me perdoa, eu só não queria te preocupar e, como disse, pensei que era apenas uma fase. Eu deveria ter percebido antes que essa minha estratégia não estava funcionando. Talvez essa tristeza esteja bloqueando meus sentidos. A vida não tem mais cores como antes, eu vejo tudo cinza e eu não sei o que fazer para mudar isso!
- Eu posso ajudar você a passar por isso Miranda... Eu quero ajudar, quero estar presente para quando você precisar. - falou Oliver com voz sussurrante e olhar penetrante.
Miranda sentiu seu coração falhar uma batida e imaginou que talvez aquela não fosse uma boa ideia, mas não tinha muito que fazer, nem confiava em mais ninguém para contar como se sentia, além de Oliver. Se contasse aos seus tios e avós eles, com certeza, a fariam tirar férias prolongadas e se instalar na fazenda de seus avós, e não era isso que queria... Seu trabalho era muito importante, principalmente agora. Olhando nos lindos alhos azuis de Oliver ela disse:
- Acredito que essa é a melhor proposta que ouvi em anos!
Oliver sorriu.
- Bem, então a partir de agora você vai precisar me contar tudo que você está sentindo e pensando. Quero saber o que te faz mal e o que te faz bem... e também preciso que deixe sua teimosia de lado - falou bem humorado.
Miranda não disse nada, apenas balançou a cabeça em afirmação ao acordo dele. Ficaram se olhando por um momento até ela se despedir e voltar ao quarto. Ele também se recolheu, tomou um banho e deitou-se para descansar. Acordou assustado com um grito que vinha do quarto ao lado e apressadamente se dirigiu ao quarto de Miranda. A porta estava aberta e John já estava ao lado dela tentando acorda-la. Miranda se debatia na cama, gritando, parecia sufocada com algo. Oliver passou por John e a sentou na cama sacudindo-a delicadamente e chamando seu nome. Miranda acordou assustada, arfando, estava com os cabelos molhados de suor e o rosto lavado pelas lágrimas. Olhou para Oliver e John que a olhavam assustados e percebeu que tudo não passara de mais um pesadelo. Respirando fundo recostou-se na cabeceira da cama.
- Entenderam por que eu tomo calmantes? - falou ainda arfando.
- Vou fazer um copo de leite para você - disse John, e logo que saiu do quarto Oliver olhou para ela e perguntou:
- Com o que você estava sonhando?
- Eu não sei, nunca me lembro. - Miranda ainda estava tentando se acalmar, mas o coração permanecia aos saltos.
- Marquei uma consulta com um psicólogo para você amanhã.
Ela ficou em silencio por algum tempo então falou:
- Meu Deus, a que ponto cheguei - Levantou-se da cama e foi em direção ao banheiro. Oliver apenas a seguiu com o olhar. Miranda sentia que precisava ficar em baixo do chuveiro por alguns minutos para se acalmar.
Quando voltou, encontrou Oliver ainda sentado em sua cama e o copo de leite em cima do criado mudo. Oliver fez menção para que ela tomasse o leite, e foi isso o que fez. Terminou e deitou novamente. Oliver apagou a luz, deixou apenas um pequeno abajur acesso e sentou-se na poltrona em frente à cama de Miranda.
- O que você está fazendo? - Perguntou ela.
- Não é obvio? - Respondeu Oliver
- Você não pode passar a noite em uma poltrona e eu não sou nenhuma enferma que precise de vigilância vinte e quatro horas.
- Bem, essa é a sua opinião. Boa noite Miranda!
E fechando os olhos Oliver deu fim a conversa. Miranda se sentiu irritada e desconfortável com aquela situação, mas sabia que não adiantava discutir, ele era muito teimoso. Fechou os olhos também e caiu no sono novamente. Acordou com Oliver chamando-a:
- Miranda, Miranda, acorde!
- O que está acontecendo? - Perguntou ela.
Oliver estava mais uma vez em sua cama com as mãos firmes segurando-a, os olhos fixos nela, pareciam muito preocupados.
- Você teve outro pesadelo - disse ele
- Meu Deus, isso não vai acabar! - disse ela desanimada - É melhor você ir para o seu quarto, dormir um pouco, eu vou ficar acordada.
- Não, você precisa descansar!
- Não posso descansar nem relaxar, porque corro o risco de dormir e consequentemente ter outro pesadelo.
Miranda estava extremamente vulnerável com aquela situação, seus olhos eram de alguém cansado de lutar e mostravam uma alma solitária e triste. Oliver se lembrava de como riam juntos de bobagens há apenas alguns meses atrás e em como Miranda via o lado bom nas coisas ruins. A garota que sempre lhe dizia: "Para tudo há uma solução" não estava mais ali. A confiança de Miranda se esvaiu por causa dos seus medos.
Medos, era isso que não estava deixando-a viver, principalmente dormir. Se Miranda recuperasse sua confiança os pesadelos cessariam, concluiu Oliver. Mas isso levaria tempo para acontecer e o que ela precisava no momento era alguém para depositar sua confiança já que não conseguia confiar em si mesma. Sem pensar muito Oliver pulou para o lado oposto da cama e foi para baixo dos lençóis, abriu os braços para ela e falou:
- Você disse que confia em mim!
- Confio! - disse ela em um risco de voz, curiosa em saber o que ele tinha em mente.
- Então venha, deite-se, e se caso você começar a ter pesadelos, lembre-se que nada pode te ferir. Eu estou aqui com você.
Miranda estava boquiaberta, Oliver só poderia ter enlouquecido.
- Oliver, eu agradeço sua preocupação e disposição em me ajudar, mas isso não vai funcionar - disse ela.
- Eu sei que você está preocupada com a nossa posição, chefe e empregada, mas esse não é o momento para pensar sobre isso. Miranda nós somos amigos, quando meu pai morreu você esteve ao meu lado, e tenho certeza que você faria qualquer coisa para diminuir meu sofrimento naquele momento. É isso que estou tentando fazer, não suporto ver você desse jeito: triste, abatida. Você não é assim. Quero a minha Miranda de volta, que me fazia rir, que estava sempre disposta, que acreditava em si mesma a ponto de não dar ouvidos a fofocas que fazem ao seu respeito sobre um possível romance com o chefe.
Miranda ficou surpresa com a menção do romance entre eles dois, achava que isso nunca havia chegado aos ouvidos dele, mas pelo visto, nada escapava da atenção de Oliver. Os dois ficaram se olhando por alguns segundos até Miranda ceder e pousar a cabeça no peito musculoso de Oliver. Ele passou os braços ao redor de seu corpo e assim ficaram até que finalmente adormeceram.
Miranda despertou ao amanhecer e viu que Oliver não estava mais lá. Menos mal, por que seria constrangedor demais, aliás a noite anterior foi totalmente constrangedora: Os braços de Oliver ao seu redor e cama... Uma sequência perigosa para ambos, porém tinha que admitir: dormir nos braços dele não era nada ruim. Ficou tensa com a sua proposta, mas sabia que Oliver não desistiria então decidiu ceder. Quando deitou a cabeça em seu peito e ele a abraçou teve que respirar fundo... Meu Deus tudo aquilo eram músculos? Foi difícil Miranda conseguir pegar no sono, a tensão entre eles era grande, mas como uma boa garota, fechou os olhos até que finalmente foi vencida pelo cansaço. Levantou-se e vestiu um vestido leve, arrumou os cabelos, lavou o rosto e rumou à cozinha. Lá estavam Oliver e John sentados em frente a uma mesa farta, com frutas, sucos, queijos, leite e pães. Eles a saudaram com um bom dia e ela retribuiu, sentou-se e John logo perguntou:
- Você conseguiu voltar a dormir? Teve mais pesadelos?
Ela e Oliver se olharam e ela respondeu:
- Tive mais um, mas consegui dormir bem depois - Falou sem mencionar que Oliver tinha ficado com ela na cama.
- John quero que você leve Miranda para fazer os exames que estão marcados para hoje - Falou Oliver
- Pensei que você iria me acompanhar também - disse Miranda surpresa.
- Eu vou, mas não estarei com você nesse horário, um dos investidores pediu uma reunião urgente, mas não vai demorar muito. Chego assim que puder!
- E eu não deveria estar nessa reunião? Afinal sou sua secretária.
- Sim, você é! E sim, talvez você devesse estar, mas não, você não vai! Quero você no médico se cuidando Miranda.
Dizendo isso, Oliver foi se levantando. Já estava vestido para encontrar com o tal investidor.
- Oliver eu já estou me sentindo muito melhor. Talvez tudo que eu precisasse fosse uma boa noite de sono, e isso eu já tive. Estou pronta para voltar à ativa.
- Talvez amanhã, não hoje. Lembre-se do nosso acordo... Você não será teimosa.
E já se encaminhava até o elevador:
- Quando chegar ao consultório me ligue, por favor! - Disse a John.
Miranda estava se sentindo como uma criança que não podia decidir sobre sua vida e, sinceramente não gostava nada daquilo. Sabia que Oliver só estava tentando ajudar e preocupado com ela, mas tudo tem limites. Era uma mulher adulta e queria ao menos ser consultada sobre as decisões dele para sua vida.
Era fim de manhã quando Miranda começou a fazer a bateria de exames que foi solicitada pelo médico que a atendeu na noite passada. Oliver ainda estava preso na reunião e John a aguardava na sala de espera. Miranda já estava tonta de tantos exames, mas sabia que era necessário. No fundo tinha medo de ter prejudicado sua saúde com os remédios que havia tomado. Nunca mais tomaria uma atitude tão perigosa como essa de se automedicar.
Miranda estava deitada na cama do consultório fazendo um ultrassom do abdômen quando Oliver pediu licença e entrou na sala e ela viu a médica abrir a boca em admiração assim que o viu. Se ele percebeu que a moça estava totalmente encantada por ele não deixou transparecer. Olhava fixamente para o monitor, um olhar preocupado, mas logo aliviou quando a médica disse que não tinha nada de errado com ela.
- A senhora está com tudo em ordem e acredito que logo poderá engravidar - Miranda corou ante a confusão da jovem - Algumas mulheres demoram um pouco mais por tomarem anticoncepcional durante um tempo prolongado - falou dirigindo-se a Oliver - Mas acredito que logo vocês serão pais. O que vocês preferem? Menino... menina...?
Miranda já estava pronta para desfazer o mal entendido quando Oliver interveio:
- Os dois. Gostaríamos que fossem gêmeos, mas um casal!
A moça riu, achando muito linda a escolha dele. Oliver olhava para Miranda divertido, vendo-a toda vermelha de vergonha e censurando-o com um olhar fulminante. Sairam da sala com votos de boa sorte e felicidades. Segundo a médica estava tudo em perfeito estado. Faltava o resultado da endoscopia para ter certeza, mas eles só estariam prontos nos dias seguintes. Agora era conversar com a psicóloga. Aquele dia estava ficando desgastante, pensava ela, mas Oliver parecia não se importar em ir de um lado para o outro com ela. Por onde passavam, dentro da clínica médica, as mulheres seguiam Oliver com o olhar e ele parecia estar se divertindo, principalmente quando alguém os tratava como um casal.
╰• ⊰✿ ╰• ⊰✿ ╰• ⊰✿
PS: Esse homemmmm emm!?.... #ReageMiranda
Beijos...

Ai, quero um Oliver prá mim. Ops! Esqueci do meu marido...
ResponderExcluirOliver quero você!!!
ResponderExcluir