Amor na Capadócia - Capitulo 2

sábado, 14 de maio de 2016



Derya permanecia de pé com expressão incrédula.
- Acho que não esperava me ver nunca mais, não é? - perguntou Teo.
- Na verdade, rezei muito para que Deus não permitisse que eu pusesse os olhos em você novamente!
Teo suspirou decepcionado com as palavras dela, mas seria paciente.
- Pelo visto essa não era a vontade Dele - respondeu.
- Mas continua sendo a minha e tenho livre arbítrio, portanto, se me der licença - virou-se de costas planejando sair de perto dele o mais rápido possível.
- Não, não dou! - disse alto quando a viu alcançar a porta.
- Não pode me obrigar a ficar! - falou de costas para ele - Ainda mais na companhia de um psicopata.
Teo suspirou.
- Estou pedindo gentilmente, Derya. Fique! Precisamos conversar.
- Não temos nada para tratar um com o outro - falou tendo coragem de olhá-lo por cima dos ombros - Com sua licença, Capitão! - enfatizou a última palavra em tom de desprezo.
Derya abriu a porta quando ouviu a voz grave.
- Você não deve sair até que eu permita - disse firme - É uma ordem, Sargento!
Ela fechou os olhos e mordeu a língua de tanta raiva. Se tinha alguém no mundo que estava odiando cada segundo mais era Teo. Virou-se fuzilando-o com o olhar.
- Achei que não iria me obrigar a ficar.
- Você é quem está me obrigando a ser mais enfático.
Teo fez sinal para que ela sentasse. E Derya hesitou.
- Sou seu superior - disse ele chantageando-a.
- Será que é mesmo? - falou enquanto virava-se completamente para ele.
- O que quer dizer?
- Você é o mestre da mentira e dos disfarces. Bandido, assassino. Psicopata! É capaz de tudo para conseguir o que quer. Mas quero que saiba que eu não tenho medo de você Teo, se entrou aqui para fazer mal a alguém vai se dar muito mal. Vou agora mesmo procurar meu tio e contar a ele quem você realmente é, e o que fez com nossa família.
- Ele já sabe! Mehmet sabe tudo ao meu respeito. O que ele disse aqui não foi mentira. Me afastei do exército por muitos anos e sinceramente não tinha planos de voltar, mas foi preciso quando soube que você havia se alistado. Voltei por você Derya.
Ela bufou.
- Por mim? Por que?
- Porque essa não é a vida que você merece.
- E qual é a vida que mereço? Estar ao lado de um homem que ameaça a vida do meu irmão? Que diz que me ama e me trai na primeira oportunidade? Que vai para cama comigo pensando em outra mulher?
- Isso não é verdade, Derya - disse adiantando-se e parando a frente dela - Eu amei você desde o início, sempre foi você. Sente-se por favor, temos muito o que conversar.
- Não, Teo! Eu já pus um fim nessa história, já se passou muito tempo e eu não quero reviver essas memórias. Se você quer ficar, fique! Eu estou de partida - virou-se em direção à porta e a passos largos tentou sair.
- Não Derya, por favor! Me ouça, me deixe esclarecer as coisas.
- Já está tudo claro para mim! - disse pondo a mão na maçaneta, mas Teo, as suas costas pôs uma das mãos por cima da dela. Derya sentiu o coração descompassar com o contato, virou o rosto e encontrou o dele muito próximo.
- Me dê a chance de contar o meu lado da história, Derya - pediu com voz baixa olhando decidido nos olhos dela - Depois, se não acreditar em mim, eu te deixarei em paz, para sempre, eu prometo. Vou embora daqui e você nunca mais me verá, mas por favor, me dê o benefício da dúvida. Me deixe falar. Por favor!
Ela ainda tentou girar a maçaneta mas ele segurou.
- Parece que não tenho muita escolha!
- Não estaria insistindo se não fosse importante.
Derya afastou-se dele interrompendo o contato das mãos bruscamente.
Teo fez menção novamente para que ela sentasse. E ela obedeceu, não por que quisesse ouvir o relato dele, mas por que suas pernas estavam recusando obedecer seus comandos. Estava com tanta raiva dele e agora de si mesma por mostrar-se tão abalada. Não queria demonstrar fraqueza na frente de seu inimigo, mas ter aquele homem tão próximo outra vez foi algo inesperado.
Teo a sua frente também sentou-se e iniciou seu relato.
- Entrei para o exército muito jovem, me formei em engenharia e tornei-me designer de armas para o nosso país. Fui convidado para um grupo de espionagem e depois entrei para o grupo de salvamento e resgate, como o seu pai.
Derya franziu o cenho.
- Está dizendo que já conhecia o meu pai?
- Sim, o comandante Gokse foi meu professor, me ensinou tudo que sei sobre resgate.
- Não é possível, você está mentindo. Lembro quando fomos ao hospital, foi a primeira vez que você o viu, eu apresentei vocês dois.
- Foi tudo uma encenação Derya!
Ela balançou a cabeça sem entender o que estava acontecendo.
- Preciso lhe contar toda a verdade.
- Que verdade?
- Que eu estava sendo chantageado pelo seu pai para separar Murat e Ayla.
Derya sorriu mostrando incredulidade.
- Chantageado? Meu pai jamais faria algo assim. Ele jamais se envolveria com um louco como você. Pare de mentir! - disse entre os dentes.
- Não estou mentindo! Não dessa vez. Eu tinha uma dívida com seu pai e ele pediu para que eu o ajudasse a causar ciúmes em Murat, desconfianças para que ele se afastasse da prima. No começo achei uma bobagem, pensei que fosse um namorico de adolescentes, mas me enganei e percebi que o relacionamento dos dois era algo muito sério, disse ao seu pai que estava fora e dai ele... Derya, - fez uma pausa analisando a expressão dela e em como daria aquela notícia - Eu tenho uma filha.
Os olhos dela arregalaram-se.
- Meu Deus! Você é casado?
- Não!... Bem, eu fui, há alguns anos atrás. Sou viúvo.
Derya levantou uma sobrancelha, mas não teceu nenhum comentário a respeito.
- Seu pai tinha a guarda da minha filha, coisas aconteceram e tive que enviá-la para longe. O exército decidiu que Gokse era o melhor para cuidar da segurança dela. Eu concordei, pois confiava muito nele, mas sua obsessão em separar Ayla e Murat o cegou e ele usou minha filha para me chantagear, disse que se eu não fizesse o que ele queria a enviaria a um orfanato e eu jamais a encontraria.
- Você é louco! Meu pai pode ser rígido em algumas coisas, mas ele jamais faria algo assim. Ele nunca usaria alguém dessa forma. Muito menos arriscar a vida do próprio filho e acusar Ayla de algo tenebroso. Foi você Teo, você! Não o envolva em suas maldades - disse nervosa levantando-se e se apoiando na cadeira - O que eu fiz para você Teo? Pelo que saiba em momento nenhum fui má. Fui honesta, eu te dei o meu melhor. Se não pode esquecer Ayla, tudo bem, eu entendo, mas seja verdadeiro. Não venha aqui com histórias fantasiosas. Eu não sou mais aquela garota ingênua que acreditava em qualquer coisa que você dizia. Vá embora, Teo! Você já me causou muito mal.
- Pergunte ao seu avô - disse levantando-se também - A Murat, a própria Ayla. Melhor, pergunte ao General Mehmet. Ele vai lhe dizer a verdade.
- Meu tio nem sabia que nós nos conhecíamos! Me poupe Teo.
- Derya, eu tive culpa. Desde o início deveria ter dito ao seu pai que não aceitaria aquilo, deveria ter contado a verdade a você, a Murat, ao seu avô. Mas eu tive medo, seu pai estava descontrolado, não podia arriscar perder a minha filha.
- Pare Teo!
- Por que acha que seu pai foi exonerado? Por que acha que seu avô o enviou para longe? Ele foi banido da convivência familiar quando contei tudo que o que estava fazendo.
-Você ousou contar essa mentira ao meu avô? - falou abismada.
- E por que contei, Ayla e Murat puderam continuar juntos.
- Não é verdade. Se fosse assim vovô teria falado comigo, ele mesmo teria me contado tudo.
- Ozan foi até minha casa e disse que por minha causa você estava vindo ao exército. Fiquei desesperado, não quero isso para você, sei o que uma mulher pode sofrer em um lugar como esse. Fiz o serviço para seu pai em troca dele me entregar o endereço de onde minha filha estava escondida e também alguns documentos para minha liberdade que estavam em posse do exército e que já deveriam ter sido entregues a mim, porém ele, no intuito de me usar, os segurou por mais tempo. Seu pai ainda estava os providenciando quando eu soube de sua decisão e mesmo correndo o risco de nunca mais ver minha filha ou de continuar sendo injustiçado por algo que não fiz fui até a casa de seu avô e contei tudo a ele e a Murat. Contei sobre nós dois.
Derya ficou horrorizada.
- Como ousou? - disse em um fio de voz.
- Fique tranquila, claro que não dei detalhes sobre nós, mas confessei que amo você e pedi que eles me deixassem contar tudo o que aconteceu. Por isso nenhum deles falou com você antes - explicou - Eles me ajudaram, Murat e seu avô, conseguiram o endereço de onde minha filha estava e prometi que assim que a resgatasse voltaria para a Turquia para encontrar você. E assim o fiz, voltei as pressas, mas quando cheguei já era tarde e você havia sido transferida. Depois tudo se complicou na minha vida e não pude sair de Portugal. Só agora Derya, que está tudo resolvido, a justiça foi feita a mim e posso ter minha filha perto de mim e também a mulher que amo, posso te oferecer uma vida ao meu lado, sem medo de nada e nem de ninguém. - disse ele aproximando-se.
Derya afastou-se dele o olhando friamente. Respirou fundo, precisava recobrar as forças.
- Passei todo esse tempo sonhando em encontrar você de novo. Em te dizer a verdade, em me justificar e se preciso me desculpar com você. No meu coração nada mudou, eu amo você!
Uma expressão enigmática surgiu no rosto dela.
- Eu sei que é muito para absorver, e sei que você dúvida do que eu acabei de lhe dizer, mas não é mentira. Nada do que disse é mentira. Acredite Derya, por favor!
- Como posso acreditar em tudo isso?
- Ligue para seu avô. Ele jamais mentiria para você.
Derya ficou em silêncio. Era impossível que aquela história fosse verdade. O que Teo estava pretendendo? Algo muito errado estava acontecendo ali. No fundo, em seu coração existia medo, se falasse com o avô e ele confirmasse essa história ela ficaria muito decepcionada, tanto com o pai quanto com ela mesma. Descobriria que durante todo esse tempo havia odiado a pessoa errada, sofrido em vão.
- Está dizendo que estou odiando a pessoa errada. Que deveria acreditar no que está dizendo e odiar meu pai?
- Não quero que odeie seu pai. Quero que me perdoe por ter sido covarde, pois apesar de todas as minhas razões eu me sinto covarde.
Derya o olhou enigmática. Não era possível, seu pai não seria capaz...
Teo retirou o telefone do gancho.
- Ligue, Derya! - pediu - O general Mustafá vai lhe contar tudo.
Ela o observou. Virou-se andando até a porta.
- Me deixe em paz, Teo!
Dessa vez ele não a impediu de sair. Derya precisava de um momento sozinha. Horas depois a viu sair do quarto do tio. Mehmet a abraçou consolando-a e ela saiu em direção ao pátio.
Seguiu-a, mas não a encontrou. Kean vinha em sua direção carregando uma caixa.
- Soldado! - chamou.
- Sim, Senhor! - disse tentando bater continência e segurar a caixa, derrubando, algumas batatas, com o vão esforço.
- Viu a sargento Erdogan?
- Ela foi e direção ao refeitório, Senhor!
- Certo. Obrigado!
Teo seguiu pelo corredor e mais a frente a viu encurralada por um homem, Derya tentava passar, mas ele a impedia de continuar.
- Pensei que quando eu retornasse não a encontraria mais aqui!
- Não vou dizer que sinto muito pela sua decepção - disse encarando-o - Agora saia da minha frente.
- Temos um assunto pendente, Sargento.
- Se está insatisfeito vá falar com o Coronel.
- Não vai se cansar de bancar a durona, não é? Esse lugar não é para você Erdogan, mas claro, com ajuda do titio você vai teimar em ficar.
- Estou aqui como qualquer outro militar, e não rogo de regalias.
- É uma vergonha para esse regimento ter aceito uma mulher. Desista Erdogan, uma patente não quer dizer que você seja realmente capaz, todos sabem que se está onde está foi por que seu tio a ajudou.
- Algum problema? - interveio Teo interrompendo a discussão.
O rapaz o olhou de alto a baixo.
- E quem é você?
Teo deu um sorriso leve em direção ao rapaz.
- Sou o Capitão Karadeniz, e você Soldado?
- Tenente Sedat Sehir, ao seu dispor Senhor! - disse fazendo continência.
- Ótimo Tenente! - disse Teo o rondando - Posso saber por que está tratando a Sargento com tanta hostilidade?
Sedat a olhou com verdadeiro ódio.
- Tenente, lhe fiz uma pergunta!
- A Sargento não obedeceu a uma ordem direta, Senhor!
- Cumpri com minha tarefa, senhor, o problema é que o Tenente não foi informado que as ordens mudaram.
- Não lhe dei ordem para falar, Sargento!
- Mas eu dei! - disse Teo ríspido - Fale Sargento, o que houve?
- O Tenente solicitou que a patrulha que faz a vigilância a noite em Göreme fosse retirada, mas o General me deu ordens para que eu a mantivesse.
- Então, qual o problema Tenente.
- O problema é que a Sargento sempre encontra um meio de reverter as minhas ordens.
- Retirar a guarda da cidade nesse momento é perigoso Tenente.
- Por que? O que há na cidade?
- Incendiários!
- Moleques! - corrigiu o Tenente - Jovens arruaceiros que querem chamar atenção. Não são incendiários e não representam riscos.
- Atearam fogo em uma loja de souvenirs, com turistas dentro - disse Derya o olhando.
- Um curto circuito, Sargento, foi o que aconteceu - disse Sedat.
- Não senhor, foi provocado - rebateu.
- Como pode ter tanta certeza? - Perguntou Teo a Derya.
- Por que um dos moradores os viu.
- Um bêbado de rua, senhor.
- Ele tinha os dois olhos.
- Chega! - disse Teo, farto da discussão - Se o general deu ordens para que a guarda permanecesse então não tem por que continuar discutindo com a Sargento, não é Tenente? Se acha que está errada deveria se dirigir ao próprio General ou quem sabe a mim a partir de amanhã, já que ficarei no lugar dele enquanto estará fora. Se quiser discutir esse assunto comigo, ficarei feliz em ouvi-lo, pode marcar um horário com a própria Sargento já que ela é quem irá ficar a cargo da minha agenda durante este período.
Tanto Sedat quanto Derya olharam para Teo nada contentes, mas ele deu um sorriso de canto.
- Não será preciso, Senhor! - disse visivelmente aborrecido. Olhou para Derya com ar arrogante - Se me permite...
- Claro Tenente, pode se retirar!
Depois que Sedat saiu do corredor onde estavam, Derya e Teo ficaram frente a frente.
- Acho que ele não gosta muito de você!
- Não preciso de você para me defender, Teo - falou iniciando seu trote.
Ele a seguiu.
- Não seja tão dura comigo, Derya.
- Então se afaste - disse parando repentinamente - Está aqui para exercer a sua função, faça isso. Seja o Capitão Karadeniz e fique longe de mim.
- Vai ser difícil, Derya, já que você foi a escolhida para me assessorar durante minha estadia aqui - Teo continuou seguindo-a - Sei que falou com seu tio, vi você saindo do quarto dele.
- Sim falei.
- E então?
- Farei o meu trabalho Capitão e você o seu. Nada mais! - Derya parou o fazendo estancar também - Vou repetir por que acho que você não entendeu: Fique longe de mim.
Teo ficou a olhando se afastar. Essa teimosia era de fato um traço dos Erdogan. Mas ela iria perdoá-lo, era apenas uma questão de tempo.



☵☵☵ ✤ Δmor na Capadócia ✤ ☵☵☵




No dia seguinte Teo andou por toda redondeza, o General lhe deixou a par dos comandos que eram de supervisão do regimento.
- A Sargento me disse que existem incendiários por aqui.
- Não sabemos se são incendiários de fato ou se são apenas jovens arruaceiros. Mas estamos investigando.
- Espero que eles encontrem outra forma de diversão.
- Se continuarem, ensinaremos a eles.
- E se forem jovens demais...
- Chame os pais, porém, nunca se é jovem demais para saber que não se deve por a vida das pessoas em risco ou destruir os bens públicos e privados.
- Entendi, senhor!
Teo olhou para o lado de fora do carro onde estavam. Nunca havia reparado na beleza daquele lugar, a Capadócia era realmente exuberante. Os balões voavam alto e coloriam o céu.
- Ela também lhe contou que está indo a Istambul? Que nesse momento já deve estar próxima?
Teo interrompeu sua contemplação.
- O que?
- Ontem ela veio conversar comigo, confirmei tudo que você tinha dito. Ficou muito confusa, me pareceu um pouco perdida... - disse com olhar distante - Saber que o pai foi arquiteto de tudo deve ter sido um golpe duro. A aconselhei a voltar a Istambul, ficar um pouco com a família, conversar com o avô... Disse para ela dar um tempo a si mesma. Hoje, antes de sairmos, ela veio me avisar que seguiria meu conselho.
- Não, eu não sabia! - disse surpreso - Por que não me disse General?
- Fique tranquilo Teo. Vai ser bom para ela, quando voltar estará recuperada e olhará para você de forma diferente.
Teo suspirou olhando para o lado de fora novamente.
- Assim espero.
Realmente esperava, mas agora ele quem estava decepcionado, sentia que Derya estava escorregando de suas mãos mais uma vez. Seria um desafio esperar que ela se recuperasse e voltasse para seus braços. Teo suspirou e logo uma ideia lhe acometeu, não precisava ficar esperando Derya voltar, pois talvez isso não acontecesse, ela poderia novamente se afastar e dessa vez ele não saberia onde procurar. Não iria deixá-la fugir. Iria a Istambul.

☵☵☵ ✤ Δmor na Capadócia ✤ ☵☵☵

Gunaydin caninsssssssss!
Começamos mais uma aventura, agora é para valer. Vamos viver lindos momentos com Derya e Teo na Capadócia.
Por favor, peço que votem e comentem para que eu tenha ideia se a história está agradando ou não, ok? Todo mundo diz que escrever uma sequencia é difícil, então estarei enfrentando um desafio e claro, como sempre, preciso da contribuição das minhas canins.
Aviso: Não tenho dias certos para postar, certo? E minha prioridade é A Fortaleza que já está em andamento a um bom tempo, depois que finalizá-la poderei me dedicar mais a Amor na Capadócia, portanto peguem leve na cobrança kkkkkkkkk
Bom inicio de semana amores!
Beijos... öpücük :)

Amor na Capadócia - Capítulo 1




Teo saia da sala de desembarque quando foi cercado por um casal.
- Capitão Karadeniz! - iniciou um deles - Sou o Sargento Iram Kiliç e essa é a Sargento Gizem, minha esposa.
Teo não aguardava aquela recepção e ficou entre surpreso e desconfiado. Porém agiu educadamente.
- Como vão? Prazer em conhecê-los! - disse estendendo a mão.
- Igualmente senhor! - disse aceitando o cumprimento - Gostaria que nos acompanhasse, por gentileza. Viemos a pedido do Comandante Erdogan.
Teo surpreendeu-se mais ainda, não sabia bem o que esperar, já que Gokse havia sido desmascarado. O mais lógico era que o psicopata o prendesse e entregasse aos suíços.
- Gokse Erdogan?
- Não senhor! - falou Gizem - Mehmet Erdogan! O comandante Gokse foi exonerado.
Agora sim estava mais surpreso do que nunca, exoneração era o pesadelo para qualquer militar, uma humilhação sem tamanho. Gokse deveria estar no mínimo aborrecido.
- Com a exoneração do comandante Gokse, o general Mehmet pediu para ser o tutor de sua filha até que o senhor pudesse reaver a guarda dela - explicou Iram - Essa manhã ele nos ligou pedindo que neste horário estivéssemos aqui a sua espera.
Teo não soube o que dizer, estava muito feliz, a família Erdogan estava se desdobrando para concertar os erros de Gokse com ele. Na verdade, os Erdogan lhe fizera mais bem do que mal, eram pessoas de muito valor. Com certeza, o general usou toda sua influência para saber sobre seu voo.
- Senhor, venha conosco, alguém o aguarda com ansiedade.
Teo imaginava quem poderia ser esse alguém, esperava estar certo.
Saíram do aeroporto indo em direção ao estacionamento. Ao aproximar-se de um carro de janelas escuras ouviu um grito e de repente a porta do veículo foi aberta.
- Papai! - gritou a menina chamando atenção de todos ao redor e fazendo outros militares que estavam junto com ela no veículo assustarem-se.
Teo viu um vestido vermelho e os cabelos loiros voarem indo em sua direção. Ficou de joelhos e recebeu o abraço saudoso de sua filha. Teo a prendeu também com um abraço apertado. Nunca mais permitiria que alguém os separasse.
- Você veio papai, você veio! - soluçava Pinar.
- Sim meu amor, estou aqui! - disse emocionado.
- Não me deixe mais papai! Me leve daqui, não quero mais ficar sem você, por favor papai!
Sua pobre menina! - pensou ele - Já sentia-se ansiosa de pensar que poderia mais uma vez ser largada com pessoas estranhas. Sentia muito por ter feito a filha passar por tudo aquilo. Uma criança não deveria jamais se separar dos pais, sentia-se tão culpado pelas lágrimas e o medo dela.
Ele afastou-se para olhá-la. Enxugou o rostinho com cuidado.
- Sim filha, eu vim para levá-la. Você vai com o papai para casa. Não vamos mais nos separar, nunca mais!
- É verdade? Está dizendo a verdade mesmo? Nunca mais?
- Estou sim, minha princesa. Você e eu ficaremos juntos, em nossa casa, para sempre!
Pinar sorriu feliz e o abraçou outra vez.
Teo evitou dizer para onde iria e os militares ali presentes não fizeram questão de saber. Havia planejado uma nova vida para si, sua filha e Derya. Já havia uma outra pessoa esperando por eles, igualmente ansiosa para recomeçar.



☵☵☵ ✤ Δmor na Capadócia ✤ ☵☵☵



Teo olhava a paisagem do lado de fora do trem. As flores da primavera predominavam nos campos do interior da Turquia.
Saíra do quartel de Mardin àquela manhã e chegaria ao seu destino em poucos minutos.
Mais uma vez estaria nas terras de São Jorge, Capadócia. Há quase dois anos esteve no quartel de Nevşehir. Murat o havia informado que Derya estava lá, porém ao chegar, soube que a jovem havia pedido transferência para outro lugar. Tentou a todo custo saber qual, mas a nova casa de Derya era mantida em sigilo por ordens de seu superior. Mehmet Erdogan, o único que podia lhe ajudar, naquele momento estava em campo com seus homens e não havia previsão de retorno.
Mesmo assim, não se intimidou. Foi de quartel em quartel procurando por ela. Andou por toda Turquia. Foi obrigado a retornar a vida militar para facilitar suas buscas por Derya, pois dessa forma tinha acesso livre aos quartéis.
Na noite anterior recebeu uma ligação, Mustafá Erdogan, avô de Derya. Ele, assim como Teo, queria a neta de volta ao seio da família Erdogan e lhe assegurou que ela estava de volta à Capadócia. Pediu que ele se apressasse.
Teo desceu do trem ao chegar em sua estação olhou ao redor e sentiu o coração bater mais forte, era a resposta de que estava no caminho certo, o caminho que o levaria a Derya.
Chegou ao quartel e foi recebido com entusiasmo por Mehmet Erdogan o que não ajudou nem um pouco a aplacar a ansiedade de seu coração.
- Venha, vou mostrar suas instalações e poderá descansar. Deve ter sido uma longa viagem.
Teo o seguiu e a todo tempo olhava ao redor na esperança de vê-la.
- Por quer recusou as honras? Um de meus sargentos poderia buscá-lo.
- Desculpe, não quis ofender, mas sou avesso a regalias, é algo particular.
- Imagine! Não fiquei ofendido de forma alguma - disse Mehmet simpático seguindo com ele pelo corredor das dependências do quartel - Teo, estarei partindo o mais rápido possível e essa tarde após o almoço nos uniremos para que eu lhe deixe a par de tudo.
- Sim senhor! E, Derya? Quando poderei falar com ela?
- Está muito ansioso?
- Muito!
Mehmet sorriu abrindo a porta da suíte preparada para Teo e entrando com ele.
- Pensei em você descansar um pouco, porém se preferir posso chamá-la ao meu escritório e nós fazemos como combinado.
- Sim, por favor! Eu gostaria de conversar com ela o mais rápido possível.
Mehmet virou-se para o soldado que ajudava Teo com as malas.
- Cabo Yaser! - chamou e o atrapalhado jovem sobressaltou-se deixando umas das malas baterem em um pilar decorativo e derrubar um porta retrato que se espatifou no chão espalhando vidro por todos os lados.
- Sim general! - disse de pronto e logo olhando para a confusão armada - Desculpe general. Eu vou limpar agora mesmo - disse retirando o chapéu e recolhendo os cacos de vidro.
- Deixe... Deixe isso ai, homem!
- Sim senhor! - disse soltando o chapéu e fazendo os vidros espalharem-se novamente. Limpou as mãos nas roupas e os olhou - Pode dizer senhor, estou pronto para servi-lo.
Mehmet e Teo olharam-se cúmplices.
- Duvido muito disso - falou o general murcho. Suspirou - Procure pela sargento e diga que estou esperando por ela em minha sala, diga que é urgente. Depois volte aqui e limpe tudo isso.
- Claro senhor. Como quiser - respondeu, fazendo continência e saindo.
- Tente não matar ninguém pelo caminho! - gritou Mehmet e Teo sorriu.
- Ele é sempre assim?
- Sempre! Um desastre em pessoa - disse sorrindo - Mas é um bom garoto e um ótimo profissional, digno e honrado.
Toe assentiu.
- Kean ainda é muito jovem, com o tempo ele melhora. Quer dizer, assim espero!
Teo sorriu novamente.
- Vamos aguardar por minha sobrinha no escritório.
Saíram do quarto preparado para ele. Estava ansioso, mas sabia que só precisava conversar e explicar a Derya tudo que aconteceu, ela o entenderia. Ficaria desolada com o pai e já estava aborrecido por ter que contar a ela quem Gokse realmente era. A decepção dela seria grande e isso seria mais um castigo para seu ex comandante. Nada nesse mundo poderia ser mais desesperador para um pai do que perder o respeito de seus filhos.
Por falar em filhos, como Derya reagiria ao saber quem tem uma filha? Sua doce Pinar estava na casa de sua tia na suíça. Depois que conseguiu provar sua inocência perante a justiça, pode voltar as suas raízes, era turco, mas sua mãe era estrangeira, assim tinha dupla nacionalidade e podia usufruir de livre acesso aquele país. Restavam poucas pessoas de sua família e a tia Brigda era uma delas, ficou feliz com seu retorno e ainda mais com a pequena Pinar que não ficou nem um pouco satisfeita quando ele disse que precisaria viajar.
- Eu também vou! - disse ela.
- Não filha, o papai vai trabalhar e você precisa ficar com a tia Brigda, precisa ir à escola, fazer amigos...
- Mas eu não quero me separar de você outra vez!
- Não vamos nos separar nunca mais, mas o trabalho do papai e viajando. Em breve estarei de volta. Vou trazer uma pessoa para você conhecer, ela é minha amiga e você vai gostar muito dela.
- Uma amiga? Ela trabalha com você?
- Mais ou menos!
- Ela vai vir morar aqui também?
- Eu espero que sim!
- Ela não tem casa? - perguntou a garota surpresa.
Teo riu.
- Tem! Mora em uma bela casa em Istambul, tem pai, mãe, irmão, primos, avô.
- Tudo isso? A família dela é grande?
Teo fez que sim.
- A nossa é pequena, eu só tenho você, a tia Brigta, o Rodnei e o Guto - falou sentando-se perto do cachorro da raça labrador e apertando seu coelho de pelúcia que ela carregava por todos os lados. Ele havia dado a ela em um de seus aniversários e Guto, como ela o chamava, não saia do seu lado por nada nesse mundo.
Teo sentiu pena da filha, realmente tinha uma família pequena, seus avós já não eram mais vivos, tinha sua tia que não tivera filhos, logo a família de sua mãe se resumia a apenas ele e Pinar. Mas isso mudaria, em breve casaria com Derya, moraria em uma bela casa em Istambul e Pinar poderia ter uma mãe, tios, avós e primos. Os Erdogan eram muito acolhedores, principalmente com as crianças.
Teo sentou-se ao lado da filha.
- Pinar, - iniciou ele com cuidado - Você gostaria de ter uma mãe?
A menina assustou-se arregalando os olhos.
- Eu já tenho uma mamãe, mas ela está no céu - explicou.
- Sim, meu amor, e ela cuida de você lá de cima. Mas gostaria de ter uma mãe que cuidasse de você aqui em baixo também?
Ela ficou pensativa.
- Não sei! - disse - Minhas amigas na escola falam muito das mães delas. Mas eu não conheço nenhuma.
Teo suspirou, entendeu que a filha não tinha um exemplo de mulher em sua vida para saber o que era uma mãe. Sua pequena havia sido privada de tantas coisas... Eles haviam sido privados de uma vida. Não mereciam tudo o que passaram.
A menina continuava a olhar para ele com olhos curiosos. Teo sorriu e a pôs no colo.
- Vou explicar a você - disse beijando o rosto dela - Uma mãe cozinha coisas deliciosas e também nos ensina a fazer doces. Gostaria de aprender a fazer doces?
- Sim, muito. Eu adoro brigadeiro!
- É eu sei! - disse sorrindo - Uma mãe canta a noite para dormimos, nos ensina a rezar, cuida de nós com carinho, principalmente quando estamos doentes. Nos protege e nos ama muito. Gostaria de ter alguém assim?
- Mas você faz isso também, não é? Só não canta e não faz brigadeiro.
Ele riu com gosto.
- Sorte sua que eu não canto e não faço brigadeiros minha flor, seu pai é um desastre com isso!
- Então preciso de uma mãe para fazer o que você não sabe fazer?
- Mais ou menos... - Teo não sabia como contar a filha que estava apaixonado e que queria casar novamente, achou que seria mais fácil dizer, mas se enganou.
- Papai! - chamou ela muito séria o olhando - Você está apaixonado? Quer casar com alguém?
- Annnh! - gaguejou surpreso com a pergunta inesperada - Eu... Bem... Você gostaria que eu me casasse?
- Não, por que se sua namorada for como a namorada do pai da cinderela ela vai ser malvada comigo!
- Ah não, minha flor! Ninguém jamais vai machucar você, eu não permitiria isso e Derya é muito boazinha. Ela quer ser professora, gosta muito de crianças, tenho certeza que ela vai adorar você.
Pinar fez cara de preocupada. Não parecia nem um pouco convencida.
- Vamos fazer assim, eu vou trazê-la aqui e vocês vão se conhecer, se você não gostar dela o papai não casa. Escolho outra para ser sua mãe, combinado?
A garotinha sorriu novamente se sentindo mais confiante e segura.
- Combinado! - disse ela.
- Pinar, eu nunca vou deixar ninguém machuca você, entendeu? E não precisa sentir medo de nada, eu sou seu pai e vou proteger você de tudo e de todos. Ouviu bem?
- Sim papai!
- Prometo que não vou demorar, vou buscar a minha amiga e volto para casa o mais rápido possível para ficar com você que é a pessoa que mais amo nesse mundo. Você também me ama?
- Amo!
- Quanto?
Ela sorriu.
- Muito... Muito... Muitão assim papai! - disse abrindo os braços e o abraçando.
- Eu também meu amor, amo muito você - falou.
- Então... Vai trazer uma mamãe para mim? Uma boazinha? - perguntou com olhos brilhantes.
- Vou! - disse ele confiante - Uma mamãe linda, carinhosa e bondosa. Que vai te amar muito assim como eu amo.
Assim era sua Derya, gentil. A mulher certa para se ter uma família, filhos, para ser mãe de sua pequena, para ser feliz.
Sentado na poltrona do comandante Erdogan, Teo ouviu seu longo suspiro o que o fez retornar de seus pensamentos.
- Não posso chamar de sorte ter sido convocado mais uma vez para a fronteira, mas não posso negar que tudo aconteceu em um momento oportuno - disse Mehmet sentando-se a frente dele - Fiquei muito satisfeito quando soube que você foi inocentado da morte de seu sogro e de espionagem contra o governo suíço.
- Sim! Não foi fácil tive que ficar longe da minha filha mais algum tempo, mas a deixei com minha tia, sabia que ela estava bem e segura. Contratei alguns bons advogados e fui chamado para depor, corri muito risco, mas eu sou inocente, sabia que no fim a verdade iria prevalecer. Afinal, eu estava não só protegendo o meu país, mais os deles também. Charles Bourbon é o verdadeiro terrorista, não estava investigando o governo suíço e sim as atividades do capitão com os extremistas.
- Sim! Eles cometeram uma grande injustiça durante todo esse tempo.
- Mas agora está tudo resolvido. Posso andar em qualquer lugar de cabeça erguida. Moro com minha filha e nossa tia e estamos muito bem e felizes.
- Que bom Teo, eu fico muito feliz em ouvir isso. Meu irmão pergunta muito por você, ele lhe tem muito apreço.
- Mustafá Erdogan é um homem admirável, eu também tenho muito apreço por ele. Aliás, por toda sua família.
- Menos por Gokse... - disse ele - Ele foi exonerado sabia? Na mesma época que você conversou com meu irmão, ele mesmo pediu ao general Ali que revisse a permanência de Gokse no exercito. Mas com todas as provas e acusações sobre ele o general não tinha o que rever e a decisão foi unanime.
- Sim eu soube.
- Agora ele está recluso com um dos patriarcas da família. E pelo que eu soube não quer voltar a Istambul ou ao exercito. Está vivendo muito bem e voltado a religião.
- Bem, eu espero que ele tenha se arrependido e voltado a ser o bom homem que conheci um dia.
- Nós também esperamos muito por isso - disse Mehmet pensativo.
- Soube que Ayla e Murat tiveram uma filha. Uma menina.
- Sim, a pequena Maria. Tem cinco meses já, o tempo passa correndo. Me lembro de Ayla grávida e de Murat se derretendo - disse rindo - Eles estão muito bem e felizes. Tenho fé que em breve verei Derya tão realizada quanto o irmão.
- Se depender de mim não tenha dúvidas, farei tudo que estiver ao meu alcance para fazer Derya feliz.
Mehmet assentiu.
- Logo ela estará aqui... Teo quero lhe prevenir que Derya não é mais uma garotinha ingênua e romântica, ela mudou muito.
- Estou pronto para lidar com ela - disse, mas sem muita segurança. Quase dois anos haviam se passado desde a última vez em que a vira. Realmente, não sabia o que esperar. Gostaria de ter agido antes, mas sua situação irregular perante a justiça não lhe permitiu. Voltou para procurar Derya algumas semanas depois que havia instalado a filha e a tia em Portugal, mas retornou sem encontrá-la. Depois que os advogados pediram para que seu caso fosse revisto teve notícia de que estavam a sua procura, um valor alto era pedido para quem encontrasse Teo Karadeniz, o espião que assassinara o próprio sogro e general de exército, o traidor de sua própria nação. A pedido deles Teo decidiu não retornar a Istambul, pois eles o poderiam procurar por lá. Seu processo foi demorado, pois era procurado em outros países além da Suíça, lugares onde ele nunca esteve, Charles Bourbon havia plantado acusações infundadas a ele e manchado seu nome. Quase um ano se passou até estar completamente livre e receber a justiça que merecia. Retornou a Genebra com a tia e se instalou com a filha, só assim pode tomar uma nova atitude em relação a Derya. Agora tinha mais esperanças na vida, seu nome e sua honra estavam limpos, podia oferecer uma vida digna e feliz a elas.
- Com licença general! Mandou me chamar?- a voz feminina quase fez o coração de Teo parar. Era ela, sua Derya. Como havia sonhado com aquele momento, em ouvir mais uma vez a voz doce de sua çiçek.
- Sim sargento. Entre, por favor!
Derya obedeceu. E Teo ouviu a porta ser fechada, e os passos aproximarem-se um pouco. Mehmet levantou-se e foi em direção a sobrinha. As suas costas os dois conversavam, ouvia nitidamente o que era dito.
Derya viu alguém sentado na poltrona de frente para a mesa do tio, não pode distinguir, pois estava de costas para ela, mas pela farda era algum outro militar.
- Derya, quero conversar um pouco com você - disse Mehmet aproximando-se de onde ela estava.
- Estou ouvindo!
- Sabe que nossas fronteiras andam fragilizadas depois dos atentados da última semana e nesse momento precisamos nos reagrupar para defender o nosso país. Já havia conversado com você sobre a possibilidade de me ausentar por alguns dias, lembra?
- Sim senhor, eu lembro!
- Mas não gostaria de fazer isso sem deixar alguém de confiança assumindo o quartel na minha ausência. Principalmente sabendo o que pode acontecer a você.
- Não precisa se preocupar com isso general, eu sei me defender.
- Eu sei que sabe, querida, mas ficaria mais tranquilo sabendo que estou deixando alguém que dispõe de tanta autoridade e respeito quanto eu para cuidar de você. Com certeza, seu velho tio dormiria mais tranquilo, mesmo se o exército curdo estivesse ao meu redor.
- Allahim, tio Mehmet! Não fale isso nem por brincadeira - repreendeu-o ela - Quero o senhor bem para cuidar de nosso país.
- Então posso contar com seu apoio, Derya? - questionou.
- Se o senhor ficará mais tranquilo em sua viagem, sim. Claro que pode contar com meu apoio.
- Que ótimo! Então venha - disse ele segurando-a pelo braço para que se aproximasse do homem misterioso - Derya, para ficar no meu lugar convidei um dos militares com a carreira mais promissora e exemplar do nosso exército, ele esteve ausente durante um tempo, mas como estamos em um momento de crise, ele foi convidado a unir-se a nós outra vez. É um capitão que apesar de jovem tem um currículo invejável. Recusou até algumas condecorações, mas se não o tivesse feito, acho que já seria general assim como eu.
Pararam as costas do ilustre convidado e Derya sentia-se cada vez mais curiosa.
- Sargento, tenho a honra de lhe apresentar seu novo comandante, o Capitão Teomam Karadeniz!
Teo respirou profundamente, levantou-se devagar e girou nos calcanhares. Olhou-a de baixo a cima e sorriu mostrando os dentes muito brancos ao retirar o quepe.
- Sargento Erdogan, é uma honra reencontrá-la! - disse ele.
Derya não podia esconder a surpresa. Boquiaberta o olhava paralisada. Só conseguiu ouvir o som da voz sua própria voz saindo fraca.
- Teo!
- Ah vocês já se conhecem? - perguntou Mehmet disfarçadamente.
Derya paralisada mal ouviu a voz do tio.
- Sim, nos conhecemos a algum tempo! - disse Teo a olhando intensamente.
- Que bom, então ficará mais fácil trabalharem juntos. Derya! - chamou Mehmet chamando a sobrinha que parecia uma estátua.
- Sim! - sussurrou ela.
- Preciso que ajude o capitão em tudo que ele precisar, quero que seja o braço direito dele. Você conhece bem o quartel e os soldados. Entende o funcionamento e é muito competente, tenho certeza que o capitão não vai ter problemas com o seu desempenho - falou Mehmet.
- Tenho certeza que a sargento vai ser de grande ajuda general, pelo que o senhor me falou dela é muito capacitada para o tipo de serviço que quero desempenhar em sua ausência.
Bateram a porta, um oficial estava solicitando a presença do general.
- Vou precisar me ausentar por alguns instantes. Capitão Karadeniz, gostaria que deixasse a sargento a par de suas ideias, quando eu retornar poderemos discutir melhor.
- Como quiser senhor!
Mehmet se foi e ele a analisou, estava mais magra que antes, os cabelos presos em um coque, olheiras acentuadas, lábios ressecados. A pele não tinha mais a aparente textura aveludada, as unhas curtas e pálidas. Definitivamente não havia mais resquícios da garota vaidosa e feminina de antes. Mesmo assim, aquela era sua Derya e mesmo sem todos aqueles cuidados permanecia linda aos seus olhos e perfeita ao seu coração.
Derya olhou para Teo de cima a baixo com expressão entre curiosa e surpresa, como assim Teo era um militar? Não podia ser. Ele era um bandido, um aproveitador de mulheres, um assassino. Não tinha honra, não podia estar entre eles. Isso não era possível.
- O que pensa que está fazendo?
- Vim a sua procura!
- Vá embora agora mesmo Teo, ou eu vou denunciar você.
- Derya, precisamos conversar.
Ela balançou a cabeça olhando para a farda de capitão e as medalhas nos peito.
- Eu sei que tudo isso é uma farsa, você não é um militar - falou tentando se convencer.
Teo suspirou, o que vinha pela frente não era nada fácil, ele sabia.
- Sente-se Derya! Teremos uma longa conversa!

☵☵☵ ✤ Δmor na Capadócia ✤ ☵☵☵

A hora da verdade chegou para Teo e Derya.
Melhor você sentar mesmo sargento, a conversa vai ser longa e surpreendente!
Beijos... öpücük :)
Shay 

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