A Fortaleza - Capítulo 1

segunda-feira, 16 de maio de 2016



Família Dimitriades 





Ártemis atravessou a avenida apressada, estava atrasada, levaria outra bronca de sua chefe. Fazia de tudo para chegar cedo, mas desde que começou seus estudos, não conseguia dar conta de mais nada. Seminários e provas martelavam em sua mente.


Cursava economia e se esforçava muito, pois, queria ter uma vida melhor. Ártemis sempre viveu com seus pais no campo. Uma vida tranquila, simples, mas muito feliz. Seus pais lhe deram muito apoio quando decidiu mudar-se para Atenas, a fim de ter mais oportunidades de trabalho e estudo, pretendiam também que ela deixasse para trás algumas intempéries do passado, sua vida precisava de um novo rumo.


Até agora só tinha conseguido o emprego de garçonete na lanchonete da faculdade onde estudava. Não era ruim, conseguia dinheiro para se sustentar. Ártemis não gastava muito, não se interessava por roupas caras ou coisas sofisticadas. Tinha um estilo meio folk, simples e confortável, tudo que precisava para continuar sendo feliz naquela metrópole louca.


Filha única de seus pais, era muito amada e protegida por eles. No auge dos seus vinte e quatro anos, era uma jovem amorosa e dedicada em tudo que se propunha fazer.


— Está atrasada! — Falou sua chefe assim que pôs os pés na Snak, café onde trabalhava.


— Desculpe! — Disse á chefe e amiga Dione, as duas dividiram um apartamento quando Ártemis chegou à Atenas e Dione foi quem lhe ofereceu o emprego no café, um mês depois Ártemis conseguiu alugar seu próprio apartamento.


— Desculpo se você disser que se atrasou por que teve uma noite quente com aquele deus, Ares... Até nome de deus ele tem! — Falou abanando-se simulando calor — Pelo Olimpo Ártemis, que homem!


— Tive uma noite quentíssima com a minha cama, isso sim! — disse sorrindo — Na verdade não foi tão maravilhosa assim, tive que estudar até ás três da manhã para acompanhar a turma.


— Ai, Ártemis! Você não sabe viver — reclamou Dione — É claro que tem que estudar, mas também precisa se divertir, descansar, relaxar e fazer amor com um deus de vez em quando — riu maliciosa.


— Deixe de falar besteira. — Pediu. — Vamos trabalhar que é melhor.


À noite, depois da aula, Ártemis seguiu para casa, precisava de um banho quente e uma xícara de chá para relaxar seu corpo cansado, mas foi impedida de seguir seus planos quando seu telefone tocou. — Quem seria uma hora dessas? — Pensou já avaliando as possibilidades — Fosse quem fosse teria que ser breve, pois precisava muito descasar — pensou tirado o aparelho do gancho.


— Alô!...


♖♜___Α Fορταλεzα___♖♜




Magno Dimitriades estava sentado no banco do caro e luxuoso Porsche do irmão.


— E ai? O que achou? — Perguntou Ares.


— É bom! Bonito e silencioso, mas prefiro meu Lamborghini. — Disse ele vendo o irmão fazer uma careta.


— Quando você crescer, irmãozinho, vai saber a diferença entre beleza e funcionalidade! — Falou Ares.


— E talvez quando você crescer consiga me explicar o sentido de comprar um carro diferente a cada lua cheia. — Retrucou Magno.


— Não seja por isso, eu lhe explico agora mesmo. — Disse com um sorriso cínico. – Carros, assim como mulheres, são obras primas. Devem ser criados por grandes homens para apreciação de outros grandes homens. Devem ser amados e desfrutados intensamente.


— Nada de moderação. — Completou Magno.


— Isso mesmo, sem moderação. — Disse Ares com um sorriso de canto.


— É isso que você tem feito com a tal Mel? Tem apreciado sem moderação? — Perguntou Magno que tentava arrancar do irmão algo sobre a misteriosa garota com quem Ares vinha saindo. Sempre foram amigos, seu irmão lhe contava tudo sobre sua vida, mas ultimamente vinha fazendo segredo sobre sua mais nova conquista. Sempre que Magno tentava saber sobre a tal Mel, Ares mudava o rumo da conversa. Magno só descobriu sobre a existência da garota porque Ares chamou o nome dela várias vezes enquanto dormia.


Ouviu o irmão mais velho suspirar a menção do nome da garota misteriosa, riu, mas não respondeu. Ele estava muito diferente, saía à noite, mas dispensava companhias, coisa que nunca havia acontecido antes. Com certeza, essa garota era mais importante para ele do que Magno havia julgado. Queria conhecê-la, mas Ares insistia em guardar segredo.


Era difícil acreditar que o irmão estava apaixonado por alguém. Conhecido por fazer sucesso entre as mulheres. O filho mais velho do senador Dominic Dimitriades vivia uma vida de luxuria ao lado das mais belas gregas. Magno não ficava atrás, dono de uma beleza ímpar, conseguia do sexo oposto tudo que queria e assim como o irmão não pensava nem um pouco em ter um relacionamento sério, estava bem solteiro, fazia o que queria com quem queria e quando queria. Igualmente bonitos e sedutores.


— Não vou insistir, — deu-se por vencido. — já deu para perceber que você não vai mesmo falar sobre a tal Mel. — Disse Magno. — Ela não é uma mulher mais velha, é? Nossa mãe não iria gostar nem um pouco de ter alguém competindo com ela.


— Não! Ela é jovem, mas não me pergunte mais nada!


— Eu só não entendo por que tanto mistério com uma mulher.


— Não tem mistério, eu só não estou a fim de falar. — Justificou Ares.


— Você está gostando dela?


— Talvez! — Respondeu.


— Então, devo lhe lembrar que se você começar um relacionamento sério com essa garota tudo que é seu será automaticamente meu, inclusive essa belezinha. — Falou Magno se referindo ao Porsche, Ares revirou os olhos. — São as regras do jogo. Quem se apaixona é quem perde.


Ares não respondeu, queria encerrar o assunto sobre Ártemis. Lembrou quando a conheceu em uma livraria, teve que insistir muito para que ela dissesse seu nome, e assustada com a insistência dele, a garota disse um nome falso, Mel. Depois que se conheceram melhor e ela percebeu que não era nenhum psicopata, revelou seu nome verdadeiro, Ártemis, porém ele continuava a chamá-la por Mel, combinava mais com seu jeito doce, com o tom da sua pele e com o gosto do seu beijo.

Apesar de Ares se esforçar para estar com ela, Ártemis parecia fugir dele, sempre estava ocupada, trabalhava e estudava muito, nunca tinha tempo para um jantar romântico ou um encontro a dois. O pior é que ele, sem perceber, acabou se envolvendo mais do que queria. O que deveria ser apenas uma noite se transformou em dois meses, não conseguia tirá-la da cabeça. Estava mais acostumado com mulheres sedutoras, que adoravam sexo casual e que o olhavam com desejo, mas o jeito de menina certinha e o ar inocente de Ártemis o fisgou. A principio, quis levá-la para cama e acabar de vez com aquele brilho angelical de seus olhos, mas, mesmo depois que fizeram amor, ela continuou brilhando como um anjo. — Encantadora! — Pensou ele que nunca viu nada igual e isso a tornou especial aos seus olhos. Aos poucos dispensou as outras, só queria estar com ela, sentindo o calor de seu corpo e o doce de seus beijos.


Passaram pela ponte que ligava a mansão Dimitriades a saída principal para o centro de Atenas. Os grandes muros da propriedade que no passado fora uma fortaleza construída para servir de observatório, prisão e depósito de armas, garantindo assim a segurança da cidade contra possíveis invasões pelo mar, havia sido completamente restaurada por seu pai, antes em ruínas devido às ações do tempo, agora era uma das mansões mais luxuosas de Atenas, lar de sua família.


Ares estacionou o carro na garagem e entrou no hall seguido por Magno. Foram recebidos pela mãe, Hebe e também a governanta que trabalhava para eles desde que eram crianças.


— Kalispéra, senhores! — Cumprimentou a governanta.


— Boa tarde, Dafna. — Responderam em unissom.


— Como foi a manhã de vocês, meus amores? — Perguntou Hebe depositando beijos nos filhos.


— Como sempre mamãe. — Falou Magno desanimado. — Assessoramos o papai, discutimos alguns projetos com alguns governadores. Não entendo a falta de disposição deles em fazer algo que beneficiará tantas pessoas. Querem estar no poder só pelo status.


— Então graças a Deus temos vocês, que não precisam de fama e nem de dinheiro. — Disse Hebe.


— Eu gosto de trabalhar pelo povo, alguém precisa defender os interesses dos menos favorecidos. — Falou Magno.


— Como ele é lindo, não é mamãe? — Disse Ares alisando o rosto do irmão para provocá-lo — Típico estudante de filosofia. Sócrates ficaria orgulhoso de você.


— Tire a mão de mim! — Resmungou dando um tapa no irmão para afastá-lo. — E não me formei em filosofia, me formei em sociologia, mas claro, você não sabe a diferença. Sempre preferiu cair na noite ao invés de estudar.


— As pessoas estudam para terem um bom emprego e conseguirem dinheiro suficiente para bancar o luxo que acreditam merecer. Eu já tenho todo o luxo que mereço, não precisei estudar. — Falou debochado ainda tentando irritar Magno. 


No fundo não acreditava naquilo, mas a verdade é que nunca se interessou especificamente por nenhuma área como o irmão que decidiu que estudaria para compreender melhor as transformações da sociedade. Tentou Direito, passou pouco tempo na faculdade, só o suficiente para perceber que não se encaixava ali também. 

— Sou um dos homens mais ricos de toda Grécia... — Ostentou.— Não preciso estudar.


— Não se estuda pelo dinheiro, se estuda pelo conhecimento! — Argumentou Magno.


— Típico papo de filósofo! — Disse gesticulando com as mãos.


— É sociólogo, imbecil.


— Vamos parar crianças. — Pediu Hebe. — Vão se preparar que vou pedir para servirem o almoço daqui a meia hora.


Seguiram para seus respectivos quartos e no corredor, Ares continuou com suas brincadeiras.


— Realmente irmãozinho, não entendo nada de filosofia ou sociologia, mas de uma coisa eu sei... — Abriu a porta do quarto e entrou. — Você fica muito animadinho quando vê um homem meditando. — dizendo isso, fechou a porta com rapidez, pois sabia que Magno iria tentar agredi-lo.


 — Você me paga, Ares! — falou Magno do outro lado da porta — Ares jogou o paletó em cima da cama e soltou uma gargalhada 


— Volte para seus livros amorzinho, deixe a política comigo, um homem de verdade.


Ares só ouviu o forte barulho na porta, como uma pancada e riu mais ainda. Adorava provocar o irmão mais novo. Magno era muito profissional e honesto, ele admirava isso, mas mesmo assim gostava de ir contra suas ideias socialistas, só para irritá-lo.


Atualmente Magno era seu Suplente e assessorava seu pai, mas eles já tinham planos para ele, queriam que Magno assumisse um lugar fixo no senado. O irmão tinha ideias grandiosas para o povo que, infelizmente, sempre eram descartadas por Dominic que só queria saber de poder. Um dia quando chegasse ao senado, Ares faria questão de se unir a ele para executarem suas ideias.


— Dominic. — Pensou Ares, o pai era a ganância em pessoa, no dia anterior teve mais uma discussão por causa da herança deixada pelo avô e pai de Dominic, ele insistia que Ares deveria lhe dispor pelo menos a metade do que recebeu, já que ele é quem deveria ter herdado a fortuna, porém Ares mais uma vez se recusou a fazê-lo, o pai não precisava de dinheiro, mesmo assim queria sempre mais. Se dependesse dele não teria nada. O avô havia deixado claro que apenas Ares ou quem ele nomeasse como futuro herdeiro deveria usufruir da fortuna. Seu avô conhecia a ganância do filho, assim nomeou um de seus netos como herdeiro direto.


Apôs o jantar a família se recolheu, mas Ares não conseguia dormir, olhou para o relógio e viu marcado dez horas. — Ela deveria estar acordada! — Pensou, levando seus pensamentos a Ártemis, sua Mel. Pegou o telefone e discou os números enquanto se encaminhava a cozinha, depois de duas tentativas ela finalmente atendeu.


— Pensei que fosse dormir sem ouvir sua voz! — Falou ele.


— Boa noite Ares, como vai? Demorei por que estava tentando abrir a porta de casa, ela emperrou essa semana e estou tendo dificuldades para forçá-la.


— Se você quiser eu passo ai amanhã e resolvo esse problema.


— Você? — Perguntou surpresa.


— Sim, eu! — Confirmou. — Você não sabe que políticos são bons em consertar coisas? — Ouviu o silêncio do outro lado da linha e decidiu completar. — Pelo menos é o que diz a teoria.


Ártemis riu da confusão dele.


— E quanto seria?


— Um beijo, talvez dois! — Sugeriu. — Mel, fazem duas semanas que não nos vemos, eu estou com muitas saudades de você, preciso te ver. Que tal amanhã? Podemos almoçar juntos.


— Não vai dar, meus horários de almoço estão reduzidos porque tenho que estudar.


— Não faça assim, eu não aguento mais um dia sem te ver, penso em você a toda hora. Pelo menos por alguns minutos me dê o prazer da sua companhia.


Magno descia as escadas quando ouviu a voz de Ares, parecia estar conversando com alguém, descobriu logo que se tratava da misteriosa Mel. Nunca imaginou que o irmão pudesse fazer um papel tão patético, implorar a companhia de uma mulher dessa forma era vergonhoso. Magno estava cada vez mais curioso sobre a "namorada" de Ares. — Quem seria ela? — Perguntou-se, talvez a filha de alguém importante por isso mantinha discrição, afinal, a reputação deles não eram das melhores, quer dizer, não com as mulheres.


— Sem discussão, amanhã vou buscar você para almoçarmos. — Falou Ares. A garota pareceu concordar, pois o irmão se despediu animado.


Magno entrou na cozinha e lançou um olhar cínico para ele.


— Quem diria... O grande Ares Dimitriades implorando a companhia de uma mulher. — Riu, daria o troco agora. — Ela deve ser uma deusa, a própria Afrodite!


— Ouvindo conversas alheias? — Perguntou Ares tentando fugir das questões.


— Deve ser extremamente cobiçada para não querer sair com você. — Falou aproximando-se. — Não é a filha do primeiro ministro, é? Alguma celebridade internacional?


— Já disse que não quero falar sobre ela. — Respondeu Ares.


— Mas porque não? Se você gosta tanto dela a ponto de se humilhar dessa forma acho que deveríamos conhecê-la.


— Não Magno! — Disse irritado. — Prefiro deixar como está. Mel é uma garota simples, vive uma vida normal, trabalha e estuda, não é como as mulheres que conhecemos que gostam de ostentar e esbanjar o que possuem.


— Uma suburbana você quer dizer? — Perguntou surpreso. — E eu aqui imaginando alguma filha de outro político, ou uma pop star...


— É, eu percebi. — Disse. — Ficou desapontado?


— Confesso que esperava algo grandioso, mas você sabe que não dou importância a status social, diferente do papai. — Magno encostou-se na parede da cozinha e cruzou os braços. — Fico pensando na reação dele quando souber que mais um de seus sonhos gananciosos sobre você não vai dar certo.


— Não dou a mínima para o que ele quer! — Falou passando pelo irmão e se dirigindo as escadas. — Boa noite, Magno!


— Boa noite! — Respondeu vendo o irmão se afastar, esperava que essa Mel fosse algo passageiro, seu irmão já tinha problemas demais com o pai por causa da herança e um namoro de Ares com uma pessoa que não fosse de seu meio traria mais discórdia. Uma aventura era uma coisa, mas romance... Não quis dizer nada para não chateá-lo, mas sabia que a tal Mel não seria bem vinda no meio Dimitriades. Seu pai era assim, ganancioso e preconceituoso. Era melhor ficar de olho em Ares, as vezes ele podia ser muito ingênuo. Tinha o péssimo hábito de confiar demais nas pessoas. Para certificar a integridade do irmão teria que descobrir quem era Mel, afinal de contas já dizia o ditado: "diz-me com quem andas e te direi quem és", não seria difícil saber sobre ela, com ajuda de seus contatos conseguiria um perfil.

— Vamos ver se você é tão doce quanto o nome!


♖♜___Α Fορταλεzα___♖♜



Kalispéra: Boa Tarde!





Bem vindas ao Monte Olimpo... Magno, Ares e Ártemis prometem muitas emoções... Lágrimas e sorrisos irão nos acompanhar durante toda essa história cheia de mistério.


Esse foi o primeiro capítulo de A Fortaleza, espero que tenha despertado muita curiosidade. Será um prazer ter a companhia de vocês em mais uma aventura apaixonante!


A Fortaleza foi meu primeiro livro, seguido de Amor em Istambul e logo após Possuídos pela Paixão, mas só agora estou disponibilizando-o, e posso dizer que estou muito feliz por compartilha-lo com vc's minhas eternas canin's.


Muito obrigada pelo carinho meus amores! Não esqueçam de dar uma estrelinha se gostarem ★



Βeijo... Filía ;)



Shay ✿  

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